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sábado, 29 de junho de 2013

NOS TEMPOS DA GONORRÉIA

EU SOU DO TEMPO EM QUE BACTÉRIA TINHA MEDO DE ANTIBIÓTICO. Vi muita bactéria trêmula e pálida diante da Penicilina. Hoje, as bactérias estão sem vergonha e os vírus tomaram conta do pedaço. É ridícula esta nostalgia bacteriana que me invade. EU SOU DA ÉPOCA BOA. Quem não a viveu nem suspeita que as coisas eram assim. Quando queimava uma lâmpada, todo mundo vinha ver. Queimou a lâmpada! Oh! As lâmpadas eram feitas para durar. Hoje temos que reformular o conceito de bem durável. O que é que é durável? Nada dura, tudo se evapora. Bauman diz que vivemos tempos líquidos eu acho que já são gasosos.
Respirava-se um ar descontraído. Não existia essa maluqueira pelo trabalho. Trabalhólatra era coisa rarísssima. Existia uma contravenção penal que se chamava VADIAGEM. O cara que não trabalhava podia ir em cana. A quantidade de bons vagabundos era imensa. Falava-se muito de  festas e tempo livre. Captava-se uma certa ingenuidade nas pessoas e havia várias fábricas de Esperança. Apostava-se muito mais no Outro. Não havia esse Desencanto pelo Outro.
O mundo era colorido e não preto como agora. Atualmente domina o Padrão Preto, o PRETO-PADRÃO. A maioria dos objetos é preta. É a cor do nosso tempo.
Sonhava-se indecorosamente porque acreditávamos verdadeiramente no poder renovador e transformador do Sonho Possível. Logo depois veio um cara que disse:- "The dream is over." E eu acho que ele tinha razão.
Décadas e décadas se passaram sem nenhum Sonho Coletivo importante. Esperamos Sonhos de todas as partes. Sonho Zero. E por extrema ironia os Árabes, que não tinham cara de sonhadores, insinuaram a perspectiva da retomada  do Sonho por um mundo melhor. Sonharam bem pra caramba e fizeram Seguidores.
Vamos sonhar nas ruas todos os sonhos Possíveis. A rua é o melhor endereço para sonhar um Sonho de RESPEITO. Nada como uma saudável PROMISCUIDADE ONÍRICA na Presidente Vargas, na Rio Branco ou em qualquer outro lugar.

Um comentário:

  1. Que máximo! Adorei esse texto. Sei bem do que vc está falando; sou de outro tempo... Beijos, Tatiana.

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