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sexta-feira, 9 de agosto de 2013

PRESENTE DE GREGO


“Páris, filho do rei de Troia, raptou Helena – mulher de um rei grego. Isso provocou um sangrento conflito de dez anos, entre os séculos XIII e XII a.C. Foi o primeiro choque entre o Ocidente e o Oriente. Mas os gregos conseguiram uma artimanha histórica para enganar os troianos: Deixaram à porta de seus muros fortificados – um IMENSO cavalo de madeira. Os troianos, felizes com o PRESENTE, puseram-no para dentro de seus domínios. E, à noite, os soldados gregos, que estavam escondidos no grande cavalo, saíram e abriram as portas da fortaleza para a invasão, considerada uma das mais engenhosas de todos os tempos.”
Daí surgiu a expressão “PRESENTE DE GREGO”, para tudo aquilo que surpreende negativamente.
 O que é que existe de tão fantástico e fabuloso neste planeta que justifique a procriação? As pessoas falam no dom da vida, em dar a vida, em oferecer a existência. Quanta besteira! Até parece que essa oferta é gratuita. Todos e cada um no seu íntimo sabem o preço do magnífico PRESENTE.
Que mundo você pode oferecer ao seu candidato a filho? Não conto com o seu dom de se iludir. A maioria é perita em se iludir. Concretamente, lúcidamente, profundamente, o que há neste planetinha para oferecer a um ser inocente ao qual se INFLIGIU A VIDA? Faça um relatório minucioso do Estado Geral do Planeta, submeta-o a um Ser neutro, não contaminado pelas babaquices do Processo Civilizatório(um extra-terreno por exemplo) e pergunte-lhe se vale a pena. Adoro Fernando Pessoa, mas a frase mais infeliz do poeta é que " sempre vale a pena quando a alma não é pequena." ( Ele escreveu esta ignomínia só para rimar Pena com Pequena, com certeza.) Eu acho o contrário, sempre vale a pena quando a alma é pequena. Quem tem a alma grande não aguenta muita merda. Quem tem a alma grande tem um certo nível de exigência. Os que têm a alma pequena aceitam qualquer coisa, até dizer que a vida é bela. Bela é o cacete! Você até pode torná-la bela, mas aí o mérito é seu e não da vida.
O Presente é dar consciência da sua finitude a um Ser frágil como nós. Esse é que é o Presente. O Presente é submeter um ser com consciência a toda a sorte regras e posturas absurdas e chamar isso de Caldo de Cultura. O Presente é invariávelmente provocar alguma forma de sofrimento em seres que não foram consultados para vir ao mundo. O Presente é conceder aos seres humanos um futuro cronometrado cujo desfecho é a morte. Rigorosamente não há futuro; o futuro é a morte. O Presente é ter apenas e tão sómente passado e presente.

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