.

.

.

.

sábado, 12 de outubro de 2013

OS MISERÁVEIS DO SÉCULO XXI


Sem ter vivido nessa época, tenho a nostalgia do tirar o chapéu. Que gesto formidável de reconhecimento do outro! Tirar o chapéu significava: eu te reconheço e assinalo a tua presença no teatro social do qual ambos participamos. Sou nostálgico. Isso não é um defeito grave. No meu caso é um lamento. Que mais posso fazer, senão lamentar?
O chapéu já se foi  e não pleiteio a sua volta.  Pleiteio o fim desta MISÉRIA MORAL que nos despedaça. Com muitíssima freqüência hoje, cruzo com pessoas que até conheço ou que não conheço mas compartilham o mesmo espaço físico e não ouço um trivial bom dia. E quando eu as cumprimento, ficam assustadas. Não sabem o que dizer ou dizem um bom dia muito contrariado. Parece que a saudação tornou-se uma espécie de agressão. Que época mais filha da puta! Porra, nem um bom dia têm para oferecer?! A propósito, os sorrisos também andam escassos. O que será que está acontecendo com essa gente? Será que estão tomando muito Rivotril? 
Na "Modernidade Líquida", o indivíduo não percebe a presença do outro e está tão entretido com seu egoísmo de merda, com o seu Tablet, com o seu Ibosta, com o seu Ibode, com toda sua problemática mental, que nem consegue ver o outro. É um  mundo de Autistas não diagnosticados. Parece que os Autistas querem fazer a peça de teatro sózinhos. Não dá. A peça é coletiva. Lamento punheteiro social e existencial. É coletivo, entendeu?
Não ando à procura do amor da humanidade. Não tenho MAIS a carência afetiva e a ilusão necessárias, mas bom dia é o mínimo dos mínimos, véio! Se Bom Dia for um esforço muito grande para o seu delicado aparelho fonador, emita qualquer som. Serve qualquer som de primata.
Não ter um som para oferecer ao outro, é para mim, a verdadeira miséria humana. Miseráveis!
ASSIM É O ÂMAGO DOS MISERÁVEIS DO SÉCULO XXI

As Origens do Ato de Tirar o Chapeú
A origem é MILITAR. Retirar o elmo que cobria toda a cabeça era sinal de amizade, reconhecimento, franqueza. Tanto a saudação militar como o tirar o chapéu para cumprimentar parecem relacionados com essa origem militar. Neste caso, DESCOBRIR-SE é sinal de deferência (a um amigo, a uma autoridade, a um símbolo nacional). Usar chapéu é simples necessidade da vida ao ar livre (cobrir-se pela chuva, pelo sol, para não ser reconhecido por inimigos etc).

A origem religiosa é judaica. Ainda no Novo Testamento, São Paulo instrui as mulheres a cobrirem suas cabeças com véus no culto, em sinal de respeito e de submissão em relação aos maridos, que não precisam cobrir-se. A referência é da 1ª Carta aos Coríntios cap. 11. Neste caso, COBRIR-SE é sinal de reverência.

Dentro de casa ninguém se cobre, normalmente, pois não há necessidade nem pela chuva, sol, inimigos etc.
Se considerarmos somente a norma religiosa antiga, a mulher usaria o cabelo comprido em sinal de reverência ante o marido, simbolizando que cobre a cabeça (como se estivesse no templo).
Na lógica do sentido comum (não religioso), COBRIR-SE dentro de casa é um sinal evidente de que a pessoa não está a gosto ou que está preparando-se para sair, para abandonar o lugar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário