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sábado, 4 de janeiro de 2014

A TRAIÇÃO DA BOAZUDA LOURA

Nunca deixo de observar os meus queridos vizinhos. Esta minha fase definitiva de eremita da montanha, oferece-me os melhores ângulos e as perspectivas mais favoráveis. Eles também devem me observar, mas estão tão entretidos com tanta merda que observam mal e de relance. Hoje vou falar da boazuda loura e não da loura boazuda porque de fato ela é mais boazuda do que loura. A lourice foi uma aquisição química, já a boazudice é dela mesmo.
Boa falava até um pouco grosso. Achei ótimo, aquela voz indicava grande presença de testosterona e por consequência muita vocação para o gozo. Sem medo de errar, posso afirmar que as mais completamente femininas, as mais estrogênicas meninas, são as que menos gozam. Para ter orgasmos múltiplos tem que haver um grave no tom. Risos, porém sérios.
Sempre via Boa pelas ruas do bairro meio que dando ordens. Certo dia, surpreendi-me pensando que ela era sapatão. Mas que belo sapatão. Ela, ele, era  todas as filiais da Mr. Cat. Será que ela era sapatão? E como cuidava do carro! Coisa de macho. Taí! Sapatus est!
Num sábado à noite, assustei-me ao vê-la/lo brigar com um moleque que estava encostado no seu lustradíssimo Fiat Palio.
- Vai procurar a tua turma! Se você arranhar o meu carro tá fodido, ouviu?- dizia ela/ele com aquela voz orgástica, um trovão de sensualidade.
Os dias se passaram percorrendo o bairro de cabo a rabo, subindo e descendo a ladeira. Entrava dia, saia dia e o Palio lá: lindo, limpinho e maravilhoso. De vez em quando caíam umas folhas que ela/ele se apressava em limpar. Que sapatão caprichoso! Que amor ao Palio! Que lindo pendão masculino! Como era "macha" aquela mulher quase loura!
Ao atravessar a rua, cruzei com ela/ele e notei uma leve protuberância abdominal. O sapatão estaria ingressando na ONG Barrigudismus Brasiliis? O Barrigudismo é um bando muito numeroso que tomou de assalto as ruas do Rio de Janeiro e do Brasil. Normalmente, o Barrigudista tem as pernas finas. Isso deve-se a uma ligeira queda na produção de testosterona e à sua imediata substituição por Skol.
Boa continuava marchando pelo bairro e ocupando cada vez mais espaço. Que barrigão! Aquilo só podia ser outro tipo de fermentação. Impossível, cerveja produzir um efeito tão arredondado assim no abdomen. 
Domingo à tarde, tive certeza absoluta. Boa estava gravidíssima dos pés à cabeça e  eu não era o pai com certeza. Não se esqueçam que sou absolutamente contra qualquer forma de procriação. Milito no Movimento Agnóstico Orgamus Gratuitus ponto com, ponto final.
Numa tarde de muito calor, cruzo com Boa e sua ratazana. Uma mulher daquele tamanho tinha parido uma ratazana. Impressionante! Será que o pai era anão? Será que ela transou com um duende da Xuxa? Enfim, o mal já estava feito.
Instintivamente, dei uma olhada no seu Fiat Palio. Foi um choque. O Palio não tinha mais retrovisor do lado motorista, o escapamento estava no chão, a sujeira tomava conta daquele pobre corpo sensível e as folhas cobriam-lhe o parabrisas.

Pobre Palio traído por um bebê ratazana. Estava definitivamente provado, a Boa não tinha nada de macho. Um macho jamais tairia assim o seu possante.
Tenho arrepios ao pensar na volubilidade de Boa. E se algum dia lhe aparece um brinquedo mais interessante que o bebê ratazana?

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