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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

DO PESCOÇO PRA CIMA

Somos uma espécie tão pretensamente elevada,  que elogiamos os benefícios da razão e dizemos que valorizamos todos os sentimentos nobres. Entretanto, a maior parte do tempo frequentamos todas as estruturas abaixo do pescoço. Até os simbolismos e os frutos do amor atribuídos ao coração, estão acima do pescoço. O coração não tá com essa bola toda. É um super mito. As grandes atrações e as grandes repulsas se processam abaixo do pescoço e são contabilizadas acima do pescoço.
Vivemos de estômagos empanturrados em busca de felicidade gástrica, perdemo-nos nos labirintos sórdidos e nojentos que  vão dos genitais ao cu e a distância não é tão grande assim. (Existem mais de 250 parafilias.) É abaixo do pescoço e às vezes muito abaixo do pescoço que passamos o nosso precioso tempo mental neste planetinha. (Por favor, eu não sou moralista e odeio visceralmente moralistas; não é por aí.)
Fala-se em cultura do espírito, principalmente os religiosos  e o que eles menos cultuam é a mente. Uma cambada de materialistas hediondos e fantasiados que só pensam em grana.
Todo mundo muito preocupado com o que os outros fazem com os seus pintos, xoxotas e cus. Mas afinal que importância tem isso? Chegam ao absurdo de confundir o uso ou não uso da genitália com moral. Se a moral está entre as pernas, cuspiram no Sistema Nervoso Central e pisotearam com crueldade os prodígios da alma humana. 
Muita gente me parece um gorila prateado depilado e de terno e gravata. Adotamos os mesmos princípios dos grandes  primatas: Macho Alfa, Exibição de Força, Dominação e Humilhação do mais fraco, formação de grupos Minoritários de Privilegiados. Que vergonha!
Somos uma bosta egoísta, mas podemos ensinar a solidariedade, a verdadeira amizade, a misericórdia, a generosidade, o altruísmo e o amor. E tudo isso está bem acima do pescoço.

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