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terça-feira, 25 de março de 2014

O DESENCANTO COM O OUTRO

"Como todos os sonhadores, confundi o desencanto com a verdade."
Jean-Paul SARTRE
A geração atual, a geração superficial, sonha com moderação porque é politicamente correta. A geração de Sartre e a minha geração sonhavam desbragada e indecentemente. Queríamos mudar o mundo. Grávidos de ilusões, parímos mais desencantos que quaisquer outras gerações.
Hoje quase ninguém tira os pés do solo. A minha geração Solar deu origem a esta gente sem graça nenhuma que só pensa em trabalhar, ganhar dinheiro e consumir. Ninguém acredita mais que o outro possa trazer elementos existenciais importantes para a redenção pessoal. Preservados do desencanto, privam-se também do encantamento. Temos que fazer o trajeto por inteiro. Não podemos começar pelo desencanto.
Vivi encantado décadas a fio e foi ótimo. Hoje vivo feliz o meu desencanto. Não comecei pelo fim. Sou um ser completo. Pobres dos que começam pelo desencantamento e pela descrença contumaz.
Acreditei no poder redentor do outro. Delirei com o amor e o afeto. Fiz do sonho uma profissão de fé. Toquei toda a epiderme aveludada da esperança e gordo de esperança, esparramei  os meus melhores trunfos em dias melhores.
Hoje sigo o curso do rio sem nunca negar as margens. Defronto-me com a verdade e o desencanto que são a mesma coisa. E sou puro contentamento porque apesar das evidências em contrário, fiz todo o percurso acreditando e colaborando sempre para um mundo melhor.

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