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sábado, 12 de abril de 2014

A METADE DA LARANJA

Como animais de bando, aprendemos muito cedo a procurar nos outros reconhecimento e significação. Começa pela dependência humilhante a que somos submetidos quando crianças. Dependemos de tudo e de todos. Ficamos condicionados a essa dependência sistemática e viciante no outro. Dizem que não se deve comparar ser humanos com animais, mas as programações químicas são muito parecidas, somos diferentes pela consciência que alguns têm e pela sociedade que criamos. Os outros animais gregários quando jovens são muito mais independentes que os humanos. Um bebê humano é quase que um prolongamento da mãe. É que não tem autonomia absolutamente nenhuma. Que lástima! Acho que essa dependência da mãe nos marca para todo sempre.
Na busca de significação no outro, só nos ferimos. Grande parte da infelicidade humana deriva disso. O grupo sabe intuitivamente o quanto o indivíduo depende dele e abusa da sua importância.
No relacionamente a dois a dependência e a desvantagem são tão assombrossas que o indivíduo nem é ele; é apenas uma parte dele próprio. No máximo cinquenta por cento. Há os que entram no negócio a dois com quarenta por cento ou menos.
Quem dominar a relação, sacrifica o outro. Esse negócio de negociação em relacionamento é o maior purgante que existe. Ninguém aguenta negociar o tempo todo . Há uma hora em que se estabelece um dominador e um dominado. Com muita frequência,  a dominação não é óbvia, mas há sempre um dominador e um dominado. Dois não podem dominar ao mesmo tempo. Da mesma forma, que dois não podem ser dominados ao mesmo tempo. Logo, há um dominador e um dominado seja ele qual for, homem ou mulher. Os dominadores alteram-se no poder conjugal.
A minha proposta é a seguinte: vasculhe-se, procure-se e ache significação em você mesmo e use o grupo para outras coisas, ganhar dinheiro e divertir-se, por exemplo. Não procure felicidade no grupo ou no outro. Essa é a maior furada da galáxia.
Isso não impede em absoluto que você tenha os seus eleitos prediletos com os quais haverá uma relação humana privilegiada, mas nunca nos moldes tradicionais do bando ou seja aplicando a velha fórmula: eu sou um incompetente existencial por isso faça-me feliz por favor.

4 comentários:

  1. Gostei boa leitura, Crônica interessante para se pensar, parabéns

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  2. "vasculhe-se, procure-se e ache significação em você mesmo"

    E assim estaremos a um minúsculo passo do paraíso.

    Adorei!

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  3. Muito boa, realmente é muito difícil o ser humano esperar que encontrará sua alma gêmea. Não, apenas aprendemos a conviver com o passar dos anos a ser ter.

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  4. O ser humano sempre está a procura da sua alma gêmea, por isso gostei tanto , da metade da laranja que nunca encontramos com todo o coração mas ficamos felizes em ter alguém que finge nos completar.

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