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sexta-feira, 9 de maio de 2014

MINHA VIDA POR UM CLIQUE

Ao escrever esta postagem não posso deixar de me lembrar da frase emblemática "Meu Reino por um Cavalo" na peça de Shakespeare Ricardo III. Só o desespero proporciona uma proposta como esta.
Ultrapassados os cavalos e guardadas as devidas proporções, o desespero ainda é o mesmo. Hoje, trocam-se muitos reinos por um clique.
Os aplausos calorosos, a aprovação enfática ou a concordância discreta pessoal do passado, cederam lugar a um ridículo clique. Estão todos ávidos e sôfregos por um clique. Se não tenho cliques, ninguém gosta de mim. A carência afetiva não abandona a espécie humana. Muda-se a casca, mas o núcleo é exatamente o mesmo.
Quanto esforço inglório em busca de cliques. O amor e a estima se medem pelo número de cliques.
Quanto a mim, neste mundo cliquento e clicado, jamais terei os cliques que mereço, aliás ninguém tem o que merece nem para o bem nem para o mal. Os que mereceriam a desgraça, estão nos píncaros e os que mereceriam a glória estão arruinados. Claro que existe o meio termo, mas sempre é muito injusto. Infelizmente ninguém tem o que merece, temos apenas o que aparece e o que acontece.
Não acredito em modéstia. A chamada modéstia não passa de uma estratégia social para colher frutos a posteriori. O modesto se faz convenientemente de tímido para que os outros o encham de elogios. É uma estratégia hedionda que só engana os grandes trouxas. Todos sabem das suas qualidades. Desconhecem os defeitos, mas as qualidades todos as conhecem muito bem.  Não me façam de babaca. Eu não mereço. Só acredito em falsa modéstia.
Voltando aos cliques, vejo que está tudo transformado. O apreço e outros sentimentos nobres são expressos por cliques. Sem contar que hoje os cliques também significam dinheiro. Na ambição pelo vil metal, vale tudo. É uma vergonha depararmo-nos com o caráter apelativo, enganador e sensasionalista da grande maioria dos blogs. É um nojo!
Na minha época, na época boa, escrevíamos longas cartas que selávamos e mandávamos pelo correio para expressar os nossos melhores sentimentos e tudo sem cliques.
Diante dos fatos, sinto-me vítima da distribuição iníqua dos cliques. Tanta gente extremamente medíocre cheia de todos os cliques. E gente de qualidade atropelada impunemente pelo baixíssimo nível.  
Entretanto, isto torna tudo muito mais claro e este é o lado bom da história. Todos sabem abertamente do que as pessoas em geral, realmente gostam. As pessoas gostam muito de superficialidades, aparências, futebol, tatuagens, cosméticos, dinheiro, futilidades, poder, sexo, músculos, maledicências, dinheiro, beleza física, ilusões, futebol, idiotices, sexo, sexo, sexo, inutilidades e meteorologia.

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