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quinta-feira, 26 de junho de 2014

A HABITUAL TORTURA GREGÁRIA

Quem não estiver de má fé, conhece com profundidade as agruras que o grupo nos impõe para admitir no seu seio a nossa insignificante presença. O grupo é essa massa amorfa e vaga que nos rodeia e com a qual temos que ter alguma forma de contato. O grupo é cruel, injusto, primitivo, impiedoso, nojento, hipócrita, medíocre, indiferente, despótico, criminoso e sem o mais tênue rastro  de compaixão. Ser currado moralmente pela sociedade organizada é lindo e normal. Ser literalmente sodomizado por decreto por todos os governos que nos aterrorizam, é ser cidadão. Não fossem certos direitos individuais que nos são assegurados pela legislação, estaríamos à mercê completa do grupo.
Certos da estupidez e da maldade da maioria que nos domina, deveríamos ser capazes de rejeitar o grupo. E é aí que a porca torce o rabo. A nossa programação química e cultural nos faz  dependentes submissos da porra do grupo. Diante da ditadura dos idiotas que se reproduzem em profusão, com a convicção de que a vida é bela e  de que tudo sempre vale a pena, os que já descobriram a arapuca medonha do bando, não têm forças para se despedir dos grupos, grupelhos, grupitos e falsíssimos amigos.
Não há melhor definição de tortura. Tortura é isto.  Tortura é estar condenado, apesar das evidências que denunciam o caráter nefasto do bando, a viver com ele. Poucos são os que têm a coragem de por em prática o seu sempre incompleto, sempre audacioso, sempre parcial, sempre relativo e sempre proveitoso projeto Robinson Crusoé.
P.S.- Não há nada mais primoroso para configurar e escancarar esta tortura que "Huis Clos"( Entre Quatro Paredes), peça de Jean-Paul Sartre.

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