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segunda-feira, 7 de julho de 2014

OS ENGANADORES DA SOLIDÃO

Desde o nascimento, tudo se faz para que não nos defrontemos com a solidão. Há todo um aparato civilizatório montado para que o indivíduo nunca tenha acesso direto, real e verdadeiro a si próprio. De tanto nos distrairmos com os outros e os outros são sempre muito envolventes e exigem muita atenção, morremos sem saber quem de fato somos.
Todos os que nos rodeiam nos dão a falsa impressão que não somos sós. O pior é quando a casa cai. Os que nos ajudam a enganar a nossa solidão, podem mudar de ideia e ir cantar em outra freguesia. Ninguém está tão preocupado com você como você imagina. Não se iluda por favor.
A vida é uma cansativa substituição de enganadores. Passamos o tempo de nossa existência trocando de enganadores. Trocamos os pais, pelo casamento e pela procriação, trocamos a namorada por outra enganadora, o amigo pelo enganador mais próximo e assim sucessivamente. Sós é que não ficamos. 
No inconsciente coletivo, solidão é a morte e é mesmo. São muito poucos os que aceitam morrer em vida. E aqui está um dos grandes segredos da humanidade.
Não quero que as pessoas encarem e abarquem o peso das respectivas solidões, isso é só para  quem tem culhões e muita sabedoria. Continuemos assim fugindo sempre e a qualquer hora de nós próprios. Até parece que nós somos os nossos maiores inimigos. Que coisa bizarra!
E quando o cara não consegue mais se enganar ou não tem enganadores por perto, ele fatalmente se droga. Qualquer droga serve. O que não serve é fazer de si próprio o MAIOR amigo. A cultura  judaico-cristã promove e fomenta o divórcio dos indivíduos consigo próprios. Reconcilie-se consigo mesmo. Amigos são sempre os outros. Quanto delírio!
Se existe um criador com certeza ele é onipresente, onisciente, onipotente e SÁDICO. Temos que desenvolver mecanismos à custa de muito sofrimento, para nos tornarmos íntegros e indissolúveis. Não podemos ser sempre o fruto do que está fora de nós. Até parece que temos horror a nós mesmos e o que vale realmente a pena é exterior a nós.
Para quem sabe que tudo é só para nos enganar, a felicidade está a um palmo. 
P.S. - Não faço a apologia da solidão. Eu também aceito enganadores, sabendo que não passam de enganadores...

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