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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

PELA CRIMINALIZAÇÃO DO ERRO GRAMATICAL

Sei exatamente qual é a diferença entre erro gramatical e erro ortográfico, embora muitas vezes os dois se deem as mãos. Num momento em se ouvem milhões de vozes histéricas favoráveis à criminalização de quase tudo, que se criminalize também o erro gramatical. O crime está tão banalizado que criminalizar virou modismo. Aliás, esqueceram de fazer um projeto de lei para criminalizar a psicofobia. Quem me chamar de louco vai em cana. Psicofobia também pode ser considerada crime, ou não? Preconceito contra a loucura ou qualquer outro transtorno mental é fato gravíssimo. Sobretudo se levarmos em conta os atos de sanidade muitíssimo questionável praticados pelos que são denominados normais.
Considero o erro gramatical uma agressão inafiançável aos tímpanos e à querida língua portuguesa. Como podem viver impunes indivíduos que passam a vida inteira dizendo:
*Comprei dois quilos de mortandela. (mortadela)
*Os partidos vivem a degladiar entre si. (digladiar)
*O garoto foi pego roubando salchichas.( salsichas)
*As lâmpadas florescentes são mais econômicas. (fluorescentes)
*O criminoso foi pego em fragrante. (flagrante)
*O negro tem sido muito descriminado neste país. (discriminado)
*As rúbricas dos documentos eram falsas. (rubrica – paroxítona)
*Comprei este lindo relógio para mim usar no casamento. (para eu usar)
*Comprei este lindo relógio para eu. (para mim)
*Não estou certa de que essa decisão satisfaz a todos. (satisfaça)
*Os dois paras-choques dos carros foram atingidos na colisão. (pára – verbo parar – não vai para o plural. O correto seria “para-choques”)
*Mandei Larissa comprar uma guaraná no botequim. (um guaraná – palavra masculina)  *As madeireiras estão visando o mercado externo. (visar, no sentido de ter em vista, pretender, ter como objetivo, pede preposição “a”. O correto seria “visando ao mercado”)
*As crianças assistiam o desenho na televisão. (Assistir, no sentido de ver, presenciar, pede preposição “a”. O correto seria “assistiam ao desenho”)
* Enviaremos até a próxima semana os pedidos que encomendaram-nos. (nos encomendaram)
*A gente se encontra ao meio-dia e meio.( meio-dia e meia hora)
*Eu só vou dar uma telefonema.(um telefonema) 
*Você quer que eu faço.( faça) 
*Já fazem cinco anos.(faz) 
*Ele matou ela. ( Ele a matou.)
Agora, o pior que eu já ouvi nos últimos dias foi:- "Já são meia-noite"  e ainda por cima em tom de ameaça. Como alguém ousa defender a lei do silêncio, se estupra e mata com requintes de crueldade a indefesa língua portuguesa. "Já são meia-noite", deveria ser passível de prisão perpétua. E a criatura monstruosa que produziu este grunhido inominável, continua solta pelas ruas da cidade e se achando. O Brasil é mesmo o país da impunidade.
P.S.- Os menos aquinhoados pela inteligência e pela capacidade de abstração, interpretaram esta postagem ao pé da letra. A onda de criminalização é tão avassaladora que certas pessoas até já criminalizaram as figuras de linguagem. Risos.

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