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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

O ORGULHO REBATIZADO

Auto-estima - O novo nome do orgulho.
De acordo com o escritor italiano Dante Alighieri, em sua obra "A Divina Comédia", os orgulhosos estão no ponto mais distante de deus. Culturas antigas como a greco-romana, consideram o orgulho uma doença da alma. O tempo passou, mas o orgulho do homem permanece nele. Junto a toda essa nossa empáfia existencial, carregamos outros males intrínsecos. É por esta soberba que nos corrompemos com mentiras, enganações, invejas e obsessões. O impacto da soberba no mundo pode ser verificado em toda a história da humanidade, desde muito antes de Cristo, passando pela Segunda Grande Guerra, até os dias de hoje.
Meryl Streepe em " O Diabo veste Prada"
No poema de Dante Alighieri, “A Divina Comédia”, o purgatório principal é composto por sete círculos, os quais representam os sete pecados capitais. No primeiro círculo encontram-se os “orgulhosos” (ou os soberbos). A penitência para eles é o exercício da humildade.
Hoje, o orgulho é o grande objetivo a ser alcançado por todos e mudou de nome, chama-se auto-estima. Acho que fui longe demais ao citar Dante. Nos anos oitenta, as pessoas eram muito mais gentis e cordiais porque não tinham a obsessão da auto-estima para azucriná-los. Hoje, ser orgulhoso é ter uma grande qualidade e ser metido a besta é o máximo.
Todos falam em auto-estima como se fosse a redenção de todos os males. A maioria dos problemas existem porque a pessoa não tem auto-estima, argumentam os idiotas cheios de pretensão. Mas afinal, o que é ter auto-estima? Será que ter auto-estima é pretender chegar à auto-suficiência? Não sei. Sei apenas que com este nível de arrogância, as relações humanas estão cada vez mais emperradas e conflituosas. Ninguém desce do seu pedestal.  Desta forma, os relacionamentos se tornam quase impossíveis e  relacionamentos dignos desse nome, só acontecem abaixo do pedestal. Para quem não quer nunca descer do pedestal, só resta a punheta sexual e existencial. É uma ótima opção mas um tanto ou quanto enfadonha.
O cara está na merda mas nunca confessa porque não é mais uma pessoa. É viciado em representar para os outros e para si próprio. Apesar de todas as evidências em contrário, nunca se salvaguardaram tanto as aparências. Odeio personagens. Eu só consigo gostar de pessoas. Já notaram que gosto de pouca gente.
Atualmente, a caminhada e a auto-estima são boas para tudo, resolvem qualquer problema. Esta é a síntese pós-moderna do bem-estar.

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