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quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A CLEPTOCRACIA

Sou pessimista há muitos anos. Nunca senti nenhum prazer em ver o futuro desta forma. Não sofro de prazeres mórbidos. Quem tem prazer na morbidez não chega a usufruir, sofre. Torço para que alguém faça alguma coisa que mude a minha visão de mundo e as minhas perspectivas em relação ao que está por vir. Infelizmente, só vejo gente fazendo muita merda.
Ultimamente, estou ficando paranóico. Diante do bombardeio mediático do Petrolão, já acho que todo mundo rouba, sempre roubou e roubará. Não gosto mais do gênero humano. Só das exceções que por sinal são raras.
Criou-se um falso véu de respeitabilidade, de decência e probidade sob o qual se perpetram as piores safadezas. Quem vê esta humanidade na rua nem suspeita do tamanho da cagada bípede.
Ao comportamento dos hipócritas e dos mentirosos, chamam educação. Ele é muito educado. - dizem. Por incrível que pareça os mais educados são os maiores filhos da puta.
Todos esses ladrões que assolam o país, até bem pouco tempo atrás, eram as pessoas mais respeitáveis do vilipendiado espaço Tupiniquim. De repente, a delação premiada que nada mais é que a verdade paga, os transforma nos mais infames gatunos do planeta. Deveriam pagar milhões de dólares pela verdade para que pudéssemos viver num mundo menos sujo. A verdade só vem à tona quando paga. De graça, só temos a mentira de costume e os mentirosos de sempre. É uma merda.
Não sei como o Brasil ainda não acabou e foi incorporado pelos Estados Unidos. Rouba-se neste país desde sempre. Lembro-me agora de uns versinhos da época de D. João VI.
Quem rouba pouco é ladrão
Quem rouba muito é Barão
Quem rouba mais e esconde
Passa de Barão a Visconde.
Não mudou nada. Os títulos de nobreza foram substituídos pelos deputados, senadores, presidentes, ministros, altos executivos, etc. Vivemos um apocalipse institucional e assistimos impávidos ao holocausto da ética. É o fim do futuro.
Acho que nem vomitando  me sentirei aliviado. Com essa roubalheira, cuspiram e escarraram no meu rosto e no rosto de todos quantos trabalham honestamente neste país para ganhar uma mega merreca no final do mês. 
Maldigo todos os minutos as trepadas inconsequentes que lançam neste planetinha milhões de inocentes. Confrontado com a ereção um homem deve fazer tudo para jogar o seu sêmen em recipientes mais convenientes e apropriados que uma vagina. Pênis e vaginas têm feito a desgraça da espécie. Se continuarem assim sem usar nenhum método anticoncepcional, não tenho outra opção. Sou obrigado a admitir que o Tesão é o primeiro e maior mal. 
Ninguém merece vir parar num planetinha tão escroto e nojento. Só pode ser castigo ser obrigado a conviver com a  numerosa corja cotidiana com cara de gente fina. 
Na República dos ladrões, só me resta recolher as minhas parcas esperanças e sonhar com um futuro melhor depois da morte. Tenho certeza que a morte é muito mais do que o nada. E o nada pode ser  bem melhor que toda esta bosta que me suja e me contamina. Falta coragem e indignação neste mundo e neste país. 

Um comentário:

  1. Tem aquele historinha de dois ratos que caíram dentro de um pote de leite. Um deles se debateu, mas cansou, afundou e morreu. Já o outro, não parou de se debater e acabou fazendo com que o leite virasse manteiga. E se salvou. Não sei como aplicar esta história à triste vergonha pela qual passamos - ou será que sempre foi assim, e nós é que não "víamos" porque não estávamos prontos para ver? Nos debater ou desistir? Penso que certas pessoas não conseguem se dar por vencidas e continuam a se debater (gritar, denunciar...); quanto aos outros... Bem, os outros são os outros.
    Grande abraço, Joaquim!

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