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sábado, 17 de janeiro de 2015

COMER OU NÃO COMER, EIS A QUESTÃO


"Os romanos agregaram o prefixo "com-" (juntos), por entender que comer é um ato que se pratica preferentemente junto com outras pessoas e a desinência verbal, que no infinitivo era "edere". Formou-se assim o vocábulo "comedere", que nas línguas romances ibéricas foi perdendo a raiz indoeuropéia "ed" e converteu-se primeiro em "comere" e logo em "comer", não só em português como também em castelhano, em galego e em catalão." ( Hoje, contrariamos a origem da palavra. A maioria come só e apressadamente. Não sabemos mais comer ou o Sistema não nos deixa nem comer em paz.)
 O NOVO HAMLET
Há teóricos americanos (e esta tese só poderia ser americana; os mais problemáticos comedores) que defendem a tese segundo a qual o grande objetivo da vida de qualquer ser vivo, inclusive dos humanos, é comer. Para eles, trabalhamos, criamos e vivemos para comer. Comer é a grande razão de viver.
Atualmente comer é um dos maiores tormentos da humanidade. Comer tornou-se um problema muito complexo com múltiplas variáveis. A quantidade de transtornos ligados ao ato de comer, assusta. (Nem vou falar do sobrepeso que atinge bilhões de pessoas.) A obesidade mórbida, a anorexia nervosa, a  bulimia, a ortorexia e a  ebriorexia são alguns dos transtornos já catalogados pela controversa DSM5.
Talvez você nunca tenha ouvido falar de Ortorexia e Ebriorexia. A Ortorexia, caracteriza-se por uma excessiva seleção de alimentos, o que leva a pessoa vítima deste transtorno a não comer quase nada. Já a Ebriorexia, comum entre adolescentes, é a primazia do álcool em detrimento da alimentação. A adolescente, a grande maioria é de mulheres, bebe sem controle e não se alimenta. O objetivo final é ficar magra. 
Os transtornos alimentares que atingem principalmente mulheres estão intimamente ligados à aceitação sexual e social. Comer tornou-se um ato complexíssimo  que não cumpre mais a função nutricional. O comer está a serviço da beleza física, do poder de sedução e é fruto do excessivo culto ao corpo.
Comer é uma forma corriqueira de compensação emocional e busca de prazer fácil, pois trata-se de uma sociedade autômata que só sabe trepar, comer, comprar, trabalhar, acumular, se drogar, dormir mal e se exibir no Face.
Os mais novos esqueceram que isto aqui não é nenhum Shangri-lá. Acham que podem gozar sem limites negando o sofrimento que por vezes é essencial. Falta disciplina e respeito.
Na busca pela aceitação dos outros, muita gente morre por não comer ou por comer demais. Os adolescentes e os adultos jovens são as vítimas preferidas da publicidade e da visão de mundo imposta pela maioria. O que você ainda não assimilou é que os Outros podem te matar. Para tanto, basta que você siga as práticas culturais que estão na moda. O cigarro matou bilhões de pessoas porque estava na moda e era bonito. Milhões de pessoas morreram porque o bronzeado é lindo e sensual. A publicidade fomentadora de modismos é genocida em potencial. Na medida do possível, livre-se dos outros. Com certeza que há gente a mais na sua rede social.
Quando ouço certos diálogos que só valorizam a estampa e a carcaça, tenho vontade de intervir, mas acabo ficando apenas à beira da náusea. Resigno-me com as gargalhadas que vou dar quando a tatuagem sair de moda e as gordurinhas localizadas forem consideradas imprescindíveis à boa saúde por essa medicina suspeita que nos domina.

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