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terça-feira, 3 de março de 2015

VOO SOLO

Quando será que você vai deixar de ser um substantivo coletivo para ser um nome próprio? Quando? Você ainda não se cansou de sempre fazer parte de alguma coisa ou de alguém? Vê-se que não conhece as delícias da liberdade. Viciado em prisões, você nasceu para viver e morrer no cárcere. Lamentável.
Alcatéia, cáfila, manada, corja, quadrilha, cambada, récua, matilha e bando. Você sabia que bando é o coletivo de aves e também é o coletivo de malfeitores? Os gorjeios, os pios e o chilrear dos bípedes não te entediam? Mas é sempre a mesma coisa. O mesmo voo para o mesmo lugar, com os mesmos barulhos, na mesma atmosfera poluída.
Nunca entendi muito bem o prazer que existe em seguir o percurso do bando alucinado. Se você gosta tanto assim de alucinações, crie as suas. Viva às custas de uma loucura peculiar. Não pague aluguel na loucura dos outros.
Usufrua da beleza e da autonomia do seu voo singular. O seu voo nunca o impedirá de dar um pio ou um gorjeio para o pessoal do substantivo coletivo. Nenhum grupo consegue ser bonito e saudável. Toda aglomeração é horrível. Esqueça as asas dos outros e comece já a bater as suas. Não sabe voar sozinho? Treine, empenhe-se e aprenda. Tudo leva a crer que ninguém está tão interessado assim no seu voo. Não se engane demais.
Eu garanto a felicidade do seu voo solitário. Há muito mais felicidade fora do que dentro do bando. Tenha coragem de mudar os seus condicionamentos.
Saia do armário e assuma. Assuma que voar só é o seu estado mais relaxado e natural.

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