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segunda-feira, 18 de maio de 2015

O DESESPERO ONTOLÓGICO

Para mim, está muito claro que não se sabe de NADA, absolutamente NADA.
Sei que hoje é quase impossível não ferir susceptibilidades. Estamos todos muito susceptíveis.
Se uma opinião causa feridas é com certeza uma opinião que se tornou importante demais. E se alguém se deixou ferir por uma simples opinião é por que faltam alicerces sólidos às convicções dos feridos.
Não se sabe nada de muito revelador e definitivo sobre a origem da nossa espécie e muito menos ainda sobre o além-túmulo. 
O Criacionismo equipara-se em delírio a qualquer conto de fadas com direito a Papai Noel de Shopping Center. É de uma puerilidade estonteante. Tem a mesma textura narrativa de qualquer história infantil e exagera pelo maniqueísmo e pela ênfase dada ao castigo, ao sofrimento e à humilhação. Só quem estava deveras desesperado em busca de um sentido para a existência, inventaria uma Criação tão capciosa e freudiana. Entretanto, o pior desta fábula é a apologia feita à obediência cega. Obedecer cegamente leva o ser humano à ignorância e à escuridão. Acho que desobedecer é fundamental.
Se Deus existe, sofre de mau humor crônico. Vide todo o antigo testamento. Sempre chateado, zangado e de cara feia. Parece-se com qualquer Chefe de Vendas ou gerente de Recursos Humanos. Recuso ter sido concebido e criado por um ser assim. E a ideia de ter sido banido de Éden, deixa-me com um forte sentimento de rejeição e me deprime. Sinto-me um exilado do paraíso, uma espécie de apátrida cósmico, um orfão metafísico. Poderia continuar a falar de Adão e Eva, mas ficaria muito chato. Então é isso. Expulsos do paraíso pelo Criador por causa de um pseudofruto sob os auspícios de uma cobra falante para sobreviver no país da Petrobrás.
Por outro lado, o evolucionismo de Darwin tem muitas lacunas e deixa muitas dúvidas e interrogações. A evolução das espécies não me convence completamente. Como foi possível, apenas por obra e arte do "gene egoísta" chegarmos a este nível de sofisticação intelectual? A evolução não explica tudo. Há muitos enigmas não resolvidos na história para adultos escrita pelo Charles. 
Só os arrogantes  e estúpidos de carteirinha, ousariam afirmar que a escatologia está decifrada.
Eu acho que somos um acidente da matéria. Falta sentido e sobra perplexidade. Não estou mais à procura de sentidos mirabolantes para a minha vida. Não tenho mais o desespero dos monoteístas que se matam para tentar provar que o sentido deles é melhor que o dos outros. Aceito perfeitamente patinar no non-sens.
Vivo o mistério de respirar com a tranquilidade de que não posso furar o enigma. Procuro criar alguma coisa ou a mim mesmo e faço da minha vida uma oferenda generosa a tudo aquilo que não consigo entender.
P.S. - E a propósito, quando será que as pessoas não vão achar tão divertido e coerente "fazer enigmas"? Quando será que esta irresponsável festa procriativa vai acabar?

Um comentário:

  1. Bom dia, Joaquim!
    Penso que você tem razão. Enganamo-nos todos os dias. Do nascimento até a morte. Sempre!
    Quanto à festa... continuará enquanto o homem durar.
    Um grande abraço, Joaquim!

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