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quarta-feira, 27 de maio de 2015

VOCÊ SABE O QUE É UMA CAM MODEL?

O INSTINTO SEXUAL NÃO TEM LIMITES

Transcrevo esta entrevista do BRASIL POST que me parece muito reveladora da época em que vivemos.

A APOLOGIA DA PROSTITUIÇÃO TECNOLÓGICA


“Liguei a câmera, fiz uma graninha em pouco mais de uma hora, adorei e comecei a fazer toda noite”

T.* tem 21 anos e mora em São Paulo, mas milhares de pessoas a conhecem como Gween Black. Cam model há dois anos, passa o dia cuidando de suas redes sociais (que incluem Twitter, Fan Page no Facebook, Tumblr e Snapchat) para, quando a noite cai, sentar-se na frente de um conjunto de webcams e luzes, tudo montado em seu próprio quarto, para entreter plateias que variam em idade, nacionalidade e fetiches.  
Da onde veio a ideia de ser cam model?
Sempre fui exibicionista e usava cosplays em eventos, cada vez com uma fantasia diferente. Uma amiga minha estava passando por problemas financeiros e decidiu fazer isso. Ela veio falar comigo, sabendo que eu tinha muitas perucas. Até então eu achava que isso era mito da internet, mas não é. Chegava a postar algumas fotos minhas no gonewild (uma seção do reddit na qual usuários podem postar nudes apenas pelo prazer do exibicionismo) e alguns caras se ofereciam para me agenciar, mas decidi entrar nos sites especializados por conta própria. Em 26 de junho de 2013, aconteceu. Liguei a câmera, fiz uma graninha em pouco mais de uma hora, adorei e comecei a fazer toda noite.
Você só usa Gwenn Black em entrevistas. É uma questão de segurança?
Sim. Nenhuma modelo fornece nome real ou dados bancários. É a internet, né? Isso já é motivo suficiente.
Como você se sente com o perigo que circunda as sex workers (termo que engloba todas as profissões relacionadas a entretenimento e sexo, desde prostitutas até operadores de disk sexo)? Temos stage names justamente por isso, e às vezes precisamos trocar de nome. Os sites também permitem que você bloqueie um estado ou país se precisar. É uma medida que visa a segurança da menina. Recebo mensagem de ódio toda semana no meu Tumblr falando que sou puta. Estava até falando disso com meu pai, que sempre me apoiou. Parece que essa pessoa nunca abriu um site pornô, né? Até parece que as meninas dos pornôs não são pagas. Você é pago para tudo isso. Troca de serviços define um trabalho. Faço as pessoas rirem ou sentirem algo e, em troca, ganho dinheiro.
Esse exibicionismo da sua época de cosplay também era algo sexual, que te permitiu ir mais facilmente pro show de cam models?
Não, era muito mais uma questão de personagem mesmo. Eu tinha bastante vergonha do meu corpo, achava que era muito feia. Passei minha adolescência sendo zoada por muita gente. Eu era a feia da turma, da escola. Gostava de alguém no colégio e era zoada por isso. Tinha a autoestima muito baixa. Quando comecei a ouvir que as pessoas me achavam bonita, duvidava, até que percebi que se eles não estivessem achando isso, não estariam dando tokens (a moeda corrente nos sites de camming). Eu tinha muito problema com a cor dos meus mamilos, e isso era um problema muito grande pra mim. Quando eu ficava topless, escondia meu corpo, ficava com vergonha, e hoje eles chamam de cocoa nipples (mamilos de cacau, em tradução livre). Eu tive muito problema com aceitação do corpo, mas até me soltar foi uma coisa de espelho – a webcam é isso, né? Sua imagem refletida. Demorou quanto tempo pra isso acontecer?
Seis meses para que eu me sentisse confortável com meu corpo.  
Quando você começou a se sentir mais confortável com seu corpo as gorjetas aumentaram?
Muito! Encontrei meu nicho, porque nesses sites existe todo tipo de modelo. Aquela que não tira a roupa, aquelas que usam três dildos ao mesmo tempo, e eu encontrei o nicho de modelos mais “maluquinhas”, que contam piadas, usam umas roupas meio doidas e se divertem. Eu me visto de dinossauro, tenho fantoches, gosto bastante de fazer isso. Ser uma palhaça. Às vezes até falo que é um maternal pra adultos, porque às vezes eu estou cantando, dançando, com bambolê… Mas pelada. (risos)
Desde o começo você faz shows de cosplay?
Sim, porque eu tinha vergonha. Eu nem conseguia gozar, me masturbar, eu tinha vergonha. Sexta-feira passada eu bati meu recorde de gozadas online: 10 vezes em três horas. E todo mundo dá risada na sala.
Então se vestir de Chewbacca é rotina para você?
Sim! Quarta-feira de madrugada eu posso decidir me vestir de Stormtrooper e me masturbar fazendo sons de Chewbacca.  
Há quanto tempo você é apenas cam girl?
Faz um ano. Até então eu também trabalhava num escritório de contabilidade.
 Qual é o tempo de vida útil de uma cam model? Quanto tempo você acha que dá pra continuar tirando uma grana com isso?
Quanto tempo você quiser, porque tem público pra qualquer faixa etária. Tem modelos de 60 anos muito populares e de 18 também. Gordas, magras, altas, baixas, negras, brancas. Não tem discriminação.
Por quanto tempo você quer continuar nessa indústria?
Até os 30 anos.
Você acha que esse mercado vai chegar no Brasil?
Tem acontecido, mas do jeito que chegou não me atraiu. Meu público ainda é americano e europeu. O problema no Brasil é o preconceito – as pessoas vão tratar essas modelos como prostitutas e na verdade é uma sala digital. Gwenn Black é uma mulher digital, que não existe.
Pedir pra sair, trocar contatos: isso acontece?
Eu recebo um pedido de casamento por mês. (risos)

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