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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Livres e Incrédulos

Quase todos procuram ou são sutilmente induzidos a acreditar em alguma coisa. E eu não estou falando apenas da crença em Deus. Pode ser menos do que isso. Crer na família, no amor romântico, na perpetuidade dos sentimentos, no bem, no mal, na ordem, na disciplina, na amizade, no matrimônio, na procriação, no dinheiro, etc, etc.
Ter crenças é uma coisa boa porque aparentemente nos dá a sensação de segurança e principalmente de proteção. São raríssimas as pessoas que se permitem um ceticismo sem limites. Mas quem já se ferrou o necessário e o suficiente sabe muito bem ou ao menos suspeita que a incredulidade é que é a verdadeira proteção.
Falta coragem para um salto, para um mergulho em si próprio. Falta destemor para um abandono desenvolto à nossa essência. Falta lucidez e consciência para não afastar com força, repulsa e fanatismo o que chamam de carcinoma da alma humana e que é apenas a singela e já muito célebre solidão. Falta iniciativa para procurar poder nas nossas vísceras e não no discurso  alheio.
Liberdade é o poder que temos sobre nós mesmos e não sou eu que o digo é Michel Montaigne.
Procuro não fazer das minhas minguadas crenças uma prisão. Sempre amei o aroma mutante, envolvente e inebriante de uma liberdade que nunca consegui alcançar, mas da qual reconheço o rastro.

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