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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Ser e pertencer

 
Este texto é dedicado a Gheramer.
Existe uma confusão generalizada e cruel entre identidade e pertencimento. A palavra adequada e menos esdrúxula, seria a palavra francesa appartenance, substantivo do verbo appartenir que significa pertencer.
Sempre que se fala em identidade, na realidade, trata-se de appartenance e não de identidade. O que as pessoas recitam mecanicamente para se definir, está muito longe de defini-las. Quem se diz brasileiro é porque pertence a um grupo de pessoas que mora num determinado espaço físico e que tem determinadas características. O Brasil nunca pode ser a identidade de um indivíduo, mas o seu pertencimento; identidade é outra coisa.
EU sou EU. Eu não sou o país em que eu nasci, nem a classe profissional a que pertenço, nem o meu estado civil, nem a minha religião, nem a minha falta de religião e muito menos a minha etnia.
Este equívoco da maioria é um campo fértil para a disseminação e expansão do preconceito. Se eu não me identificar com os estereótipos da minha nacionalidade, da minha profissão, do meu estado civil, da minha religião, da minha orientação sexual, eu estou sujeito a crassos erros de interpretação e a delitos muitíssimo graves como o racismo por exemplo.
O brasileiro gosta de samba, de carnaval e futebol. Se eu detestar samba, carnaval e futebol, está quebrada a minha falsa identidade e ameaçado o meu pertencimento.
Para quem ainda não aprendeu a ser, só lhe resta pertencer. Pertencer e sofrer de espúrias associações a grupos, etnias, religiões, partidos, agremiações, etc. Conheça e incorpore o seu compasso, o seu ritmo e as suas pausas.
Apresse-se, vasculhe-se e descubra urgentemente quem você é, para não ser vítima de estúpidos julgamentos e para não amargar uma infelicidade crônica e patológica.

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