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sábado, 16 de janeiro de 2016

O colapso das relações humanas

Quando cumprimento uma pessoa e ela não responde porque está conectada. Quando tento dar um sonoro bom dia e não consigo porque a pessoa está há uma hora ao celular. Quando as pessaos preferem escrever meia dúzia de palavras fúteis e banais a conversar. Quando as pessoas me cumprimentam (e é cada vez mais raro) e economizam a saudação, fazendo apenas um ligeiro e quase imperceptível meneio de cabeça, tenho a certeza absoluta que de fato ocorreu uma revolução. 
Aconteceu uma revolução infeliz, a revolução do ego doente. Aproveitando a carona de outra revolução infeliz, a revolução do invólucro, a revolução das palavras, a involução do politicamente correto, não chamemos mais de relações sociais o que nada tem de social. 
Hoje, existem relações automáticas, mecânicas e tecnológicas que estão muito longe de ser verdadeiras relações humanas. 
Definitivamente, caímos no precipício da fricção dos egos e não vamos muito além da queda. Estamos todos encurralados no abismo do ego, achando que  nos relacionamos quando na realidade, apenas fazemos movimentos estranhos nos limites da ruína.

Um comentário:

  1. É Joaquim. Isso é mais comum do que se pensa. Além de tudo, as pessoas, principalmente no trânsito, parecem se transformar em tudo, menos em pessoas.
    Nasci numa cidade turística onde aprendíamos que tratar bem os que chegam era importante e fazíamos isso sem pensar nas consequências. Fui morar numa outra cidade, ali perto e que não tinha turismo. Notei que o mundo não era igual como aquele onde vivia. As pessoas não diziam e não respondiam "bom dia"e só se dirigiam a mim, por ter um cargo público, para obter uma informação ou requerer um favor. Isso doía de início. Depois aprendi que tinha que não tinha que ser como eles, continuei dando o o meu "bom dia", mesmo sem receber a resposta.

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