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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Crimes e fobias

Por usar palavras e expressões muito brandas, poucos se dão conta do horror do politicamente correto. Tenho a impressão que fui despejado na Idade Média sem direito a advogado. Cheguei ao futuro da época medieval. Senão vejamos.
O objetivo fundamental e subliminar é acabar com a individualidade, a diferença e a opinião. Não podemos mais dizer que não há mais crimes de opinião. Hoje, a opinião voltou a fazer parte da lista de crimes.
Se você não gosta de alguma coisa e isso me parece bastante legítimo, você é fóbico. E se for considerado fóbico, como a fobia passou do âmbito da psicologia para esfera criminal, você vai ser punido porque não gostar do que todo mundo diz gostar, é crime. No fundo, como a vida é um teatro e uma grande palhaçada, são poucos os que acreditam verdadeiramente no que dizem, mas para não ferir uma humanidade que de repente ficou  extremamente sensível a tudo, o cara mente desbragadamente e tem o apoio de todos.
Em outras palavras, somos estimulados pelo sistema vigente a mentir. Claro que a mentira sempre foi muito sexy e a sociedade só existe porque se mente demais. A diferença é  que a mentira nem sempre foi tão descaradamente admitida. Houve épocas em que a mentira era reprovada. Atualmente, quem pode ser politicamente correto se não for um grande mentiroso? Como todos podem gostar e apoiar as mesmas coisas? Como?
Trata-se de uma estratégia nojenta, urdida para controlar todo mundo sem grande esforço. 
Se você não gostar do seu porteiro e disser isso publicamente, podem acusá-lo de ser porteirofóbico e aí você está completamente ferrado. 
E ouvirá com certeza frases do tipo:
- Mas todo mundo gosta muito do José. Por que você não gosta do José? Ele é um excelente porteiro, fique você sabendo, etc, etc, etc.
As preferências pessoais passaram a ser classificadas como fobia. Se você não gostar muito do seu vizinho, podem rotulá-lo de propínquofóbico, limitrofóbico ou adjacentofóbico. Ao ouvir um palavrão deste quilate, você pode ser levado a crer que todos têm razão. Você é mesmo um propínquofóbico porque esta terminologia é científica, comprovada e procedente. Se não gostar de tatuagens, podem acusá-lo de ser um terrível tamborilofóbico. E aí, você passa a ser um temível monstro urbano e será apontado como grande incitador do ódio.
Cuidado! Vivemos uma das piores ditaduras de que se tem notícia. Somos vítimas ingênuas da mais insidiosa e sutil forma de dominação, embora  tudo pareça muito apropriado, correto, asséptico, saudável e maravilhoso.

2 comentários:

  1. Olá, Joaquim Esteves!
    Não há nenhuma dúvida quanto ao teor da sua postagem, aliás muito esclarecedora!
    Venho do tempo anterior à ditadura, em 1970, já na faculdade, vi amigos de carteira sumirem por defenderem ideias proibidas, na época. As pessoas quando querem se livrar de alguém, fazem uso de sua franqueza para eliminá-las.
    Não só na política, como na sociedade e na família, quando fazem algo errado, espalham que quem diz a verdade, tem comportamento fóbico e essa tem sido a grande arma dos transgressores.
    Assim, anulam toda e qualquer possibilidade de se descobrir a verdade, tornando-se vítimas dos "incapazes" e a Justiça, como é cega, aceita!
    Somos dominados pelos seres sócio, familiar, econômico e politicamente corretos!
    Eu ainda insisto, mas sei, de antemão, que não há antídoto para esse vírus!
    Maravilhosa postagem, agradeço a partilha, abraços carinhosos
    Maria Teresa

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  2. Obrigado pelo seu comentário. Um grande abraço

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