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sábado, 26 de março de 2016

Nas tuas mãos


Não estou aconselhando ou sugerindo nada. Escrevo porque transbordo. Não busco convencer. Procuro as palavras como companheiras e nelas encontro o conforto que preciso e que mereço. O meu pensamento não é pedagógico. Nunca fundarei uma associação para difundir o que ilumina o meu cérebro.
Eu fui afastado de mim pela cultura que me deu origem. Essa cultura mudou muito, embora continue estimulando as pessoas a se distanciarem de si próprias. Eu sustento o contrário e sob pena de me tornar chato e repetitivo, acho que vale a pena pagar o preço exorbitante de ter consciência de si próprio e afirmar quem somos.
Sei que sofremos quando não temos vínculos com os demais, mas insisto na necessidade imperiosa e primordial de trazer as nossas vidas para as nossas mãos. 
Durante muitos anos por imaturidade e ingenuidade, valorizei demais os outros, exagerando nas expectativas, colocando grande parte da minha vida nas mãos deles. O resultado foi uma profunda infelicidade duradoura
Ao fazer a transferência das mãos deles para as minhas com todos os riscos e temores, tornei-me uma pessoa feliz. A minha concepção de felicidade é Aristotélica. Eu não estou feliz; eu sou feliz.
Não preconizo o isolamento. Defendo a solidão com interlocução. O que é inadmissível é permitir que o grupo determine o ritmo da minha vida. Grande parte das experiências de intimidade são sujas pela trapaça, competição e rivalidade que reina nesse intercâmbio muitas vezes falso.
Sei que o meu corpo tem prazo de validade e com a idade todos nós nos tornamos menos interessantes sob o ponto de vista do desejo. Acho isso bom. Mais uma razão para eu mudar de estratégia e cultivar a minha alma. Sei que sou muito menos importante para a humanidade que um urso panda. Também acho isso bom. Uma razão a mais para achar êxtases na minha grande insignificância.

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