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segunda-feira, 14 de março de 2016

Negociantes do desejo

Negócios dos instintos
Se você discordar de mim, não me odeie. Isto é apenas mais uma opinião.
É impressionante o fascínio que o sentimento do amor exerce sobre todos nós. E paradoxalmente, é a coisa mais rara neste planeta. Apressamo-nos em chamar de amor qualquer sentimento por mais reles que seja. Temos ânsia de ser amados ou de amar. Deleitamos-nos com a ideia do amor. A história do homem na terra é a testemunha irrefutável da nossa diminuta capacidade de amar.
Quantos já deliraram com o amor? Poetas e companhia. O amor é o maior delírio da espécie humana, dentre outros. Se nada embaça a sua lucidez, será fácil constatar que quase não há amor. 
Tenho pelo amor uma grande reverência e por isso sou um pouco exigente. Tenho vocabulário vasto e por este simples fato, não denomino amor qualquer sentimentozinho de merda. Qualquer sentimento contaminado pela química dos hormônios, não é digno de se chamar amor. Que se retire a palavra amor de relacionamentos movidos a hormônios.
Amor é um bem querer sem medidas que nada exige em troca. Esta é a minha definição. Quem passa no crivo da minha definição?
O que observamos e o que sempre me indignou são os mecanismos que levam ao engodo do falso amor. No caso específico de homens e mulheres, de forma geral e salvaguardadas algumas raras exceções, trata-se de um mega negócio do desejo. Ora, ao contrário de Platão, para mim, desejo e amor não têm nada a ver. Hoje, sou um homem de sonhos moderados. Não consigo mais chegar ao delírio.
O que me é dado a constatar são homens e mulheres negociando acintosamente o seu desejo sexual e chamando isso de amor. Que falta de respeito e de léxico. É a avacalhação do amor.
As mulheres são exímias negociadoras, ao ponto de deixaram os homens loucos e coléricos com tanta negociação. Isso deve ser possível, suponho, porque produzem no máximo 63 nanogramas de testosterona por decilitro de sangue. Imagino que seja um desejo com direito a regulador. Ou então é estratégia pura. Ou são mais seletivas, selecionando na negociação os melhores genes. Não sei ao certo.
Os homens negociam menos ou simplesmente nem negociam o seu desejo e também o confundem bem menos com amor. Aliás, desejo se coaduna com paixão e nunca com amor. 
Estou dizendo o óbvio, ainda que isso possa melindrar certas e determinadas mulheres. Nestes tempos obscuros, gostaria de esclarecer que não quero ofender ninguém.
Então é isso, sugiro que não se construam castelos suntuosos sobre a geografia do desejo.

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