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terça-feira, 19 de julho de 2016

A cultura do silêncio

A hipocrisia emocional
Há muitos séculos que vigora a lei do silêncio. Existem assuntos-tabu como a morte, a fragilidade do humano, o non-sens do existir, a inveja e a felicidade, para citar apenas alguns. A espécie fugitiva sempre opta pelo que é frívolo. Prevalece a fobia fundamental a tudo que é essencial. Que bom que existe a metereologia e o futebol para evitar o silêncio e o mutismo das massas.
Atualmente, dentre os assuntos-tabu que sempre caracterisaram a falida civilização ocidental, está a felicidade. Supõe-se e é pura suposição, que está tudo bem e que o bem-estar impera. Hoje, problemas são sintomas de moléstia grave. Qualquer dificuldade emocional é trancada a sete chaves e proscrita.
Ao deduzirmos que todos são felizes, criamos uma profunda angústia em quem não é tão feliz assim. Nem todo mundo é capaz de atingir esse elevadíssimo padrão emocional. Eu não me surpreendo mais porque sei que a senha da convivência grupal é a mentira ou a omissão. E também sei que não há pior grosseria que a verdade.
Essa inócua felicidade facebuquiana provoca mais estragos do que se consegue imaginar. A felicidade teria que mudar de nome se fosse assim tão fácil.
Sugiro que parem com essa propaganda enganosa de felicidade absolutamente falsa. A felicidade gratuita dessa maioria mitômana, espalha muita infelicidade em quem vive por comparação e acredita nas balelas dos narcisos obscenos expostos indecentemente nessa pornografia contemporânea do sentimento.

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