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sábado, 23 de setembro de 2017

A guerra não é mais furtiva

Com raras exceções, os soi-disant sentimentos, propalados em verso e prosa, entre homens e mulheres, não passam de resíduos químicos da testosterona. 
De uma forma geral, salvaguardados

sábado, 9 de setembro de 2017

A destituição do outro

Não me interpretem mal. Não pretendo aqui, fazer a apologia do narcisismo e muito menos, inflar ainda mais os egos. Não é isso.
Não podemos continuar assim, atribuindo aos outros essa importância descomunal. O outro tem que ser desempossado, exonerado, desautorizado e só quem já sofreu muito nas mãos dos outros, tem a coragem suficiente para destituí-los. 
Reflita e constate o quão estúpido é o poder que atribuímos aos outros. Praticamente, vivemos para os outros ou na expectativa do que vem dos outros. O nosso comportamento é determinado pelos outros - massa ignara que nos acossa e importuna. Temos que ser capazes de prescindir dos outros, sem nunca deixar de conviver com eles.
Desative os outros e eu não estou lhe dando um conselho. Desligue-se um pouco e fale-me dos resultados. Você vai se sentir só, mas a solidão tem o cheiro do seu destino e é o melhor resumo da sua ópera.
A maior, a mais verdadeira e a principal relação, é com você; não com os outros. Experimente brincar com os seus brinquedos e esqueça um pouco esses meninos e meninas envelhecidos pela precocidade e pela arrogância.
P.S. - Ressalvo os amigos que são raríssimos e têm função precípua.

sábado, 2 de setembro de 2017

Tempos de secreta angústia


O sociólogo polonês Zygmunt Bauman declara que vivemos em um tempo que escorre pelas mãos, um tempo líquido em que nada é para persistir. Não há nada tão intenso que consiga permanecer e se tornar verdadeiramente necessário. Tudo é transitório. Não há a observação pausada daquilo que experimentamos, é preciso fotografar, filmar, comentar, curtir, mostrar, comprar e comparar. O desejo habita a ansiedade e se perde no consumismo imediato. A sociedade está marcada pela ansiedade, reina uma inabilidade de experimentar profundamente o que nos chega, o que importa é poder descrever aos demais o que se está fazendo. Em tempos de Facebook e Twitter não há desagrados, se não gosto de uma declaração ou um pensamento, deleto, desconecto, bloqueio. Perde-se a profundidade das relações; perde-se a conversa que possibilita a harmonia e também o destoar. Nas relações virtuais não existem discussões que terminem em abraços vivos, as discussões são mudas, distantes. As relações começam ou terminam sem contato nenhum. Analisamos o outro por suas fotos e frases de efeito. Não existe a troca vivida.
Ao mesmo tempo em que experimentamos um isolamento protetor, vivenciamos uma absoluta exposição. Não há o privado, tudo é desvendado: o que se come, o que se compra; o que nos atormenta e o que nos alegra.
O amor é mais falado do que vivido. Vivemos um tempo de secreta angústia. Filosoficamente a angústia é o sentimento do nada. O corpo se inquieta e a alma sufoca. Há uma vertigem permeando as relações, tudo se torna vacilante, tudo pode ser deletado: o amor e os amigos.
“Estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo”. Zygmunt Bauman
Originalmente em Revista Pazes