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terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Demônios nostálgicos

Só tenho relações cordiais com demônios nostálgicos. Demônios em estado puro, não se dão comigo. Ainda que o maniqueísmo seja eivado de preconceitos, eu creio na divisão entre o bem e o mal. É inarredável. Existe o bem e o mal. Toda a argumentação em contrário, é embuste e burla.
Os demônios 24 quilates, também são conhecidos como psicopatas. Psicopata, é a terminologia científica para demônios cem por cento demônios. A psicopatia é a moléstia invisível do terceiro milênio.
Os demônios em estado puríssimo sentem-se muito atraídos pela política. A política é o paraíso dos demônios absolutos. Há demônios no paraíso.
Creio na existência de demônios totais, só isso explica o estado geral da civilização. E não adianta ficarem com raivinha de mim porque eu denuncio as calamidades do espírito. Posso provar que não sou um demônio integral e posso fundamentar tudo o que estou dizendo.
Eu também sou um Anjo Decaído, mas ainda me lembro um pouco do Jardim do Éden.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

E onde está a tua felicidade?












Onde está a tua felicidade?
Ensinaram-te a procurá-la exatamente onde ela não pode estar. No engodo do processo educacional, fizeram-te acreditar que ela estava ao alcance de todos, era fácil e visível. Bastaria para tanto, seguir os caminhos da maioria. A felicidade parece estar à espera de todo mundo, na curva do casamento, na promoção do trabalho, no acúmulo financeiro, na falsa surpresa da procriação, nos amigos, na viagem a Paris, no time de futebol, na família e na religião. A felicidade não é um sentimento acessível e revelado; a felicidade é um segredo pessoal e intransferível.
É preciso estar atento e viver alguns anos para se descobrir que a felicidade só está nas frestas da civilização, nas fissuras do grande horizonte social. Já se disse que a felicidade está nas pequenas coisas. Nada mais exato. Acrescento, entretanto, que as pequeninas coisas só cabem nas brechas e nas pequenas aberturas da atividade humana.
Espreita as fendas do que aparentemente não tem importância nenhuma. É aí que vais achar.
No teu hobby, nas tuas plantas, no teu cachorro mimado, no teu carro velho, na música da tua solidão, no café da tua manhã, no teu passeio sem pressa, no insight de uma reflexão, em um detalhe da tua casa, no afeto de uma recordação longínqua, no cochilo da tarde morna, no prazer de usar sapatos novos, no barulho da chuva chamando o sono, na visão ímpar do mar sem sol, em uma leitura breve antes de dormir, enfim, tu é que vais descobrir. Só não te esqueças de vigiar as frinchas que ninguém repara.