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sábado, 6 de outubro de 2018

Para os leitores da bíblia











Quando se fala em procriação, todos citam de maneira retumbante (quase batendo no peito) o célebre "crescei e multiplicai-vos".«Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra » (Gn 1, 28). Isto foi "dito" quando o paraíso ainda existia.

Esquecem-se, no entanto, do Nazareno em Lucas 23, versículos 27, 28 e 29.
Enquanto Jesus era levado para ser crucificado no Gólgota (Calvário), algumas mulheres o seguiam e se lamentavam por causa dele. 
Jesus, porém, voltou-se para elas e disse: "Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai, antes, por vós mesmas e por vossos filhos! Pois, eis que virão dias em que se dirá: Felizes as estéreis, as entranhas que não conceberam e os seios que não amamentaram!"
Neste período, não havia mais paraíso. Já estávamos sob o Império do Mal.

sábado, 18 de agosto de 2018

O fim do mundo

Estamos em pleno fim do mundo. O fim do mundo não é um momento; é um processo.
Joaquim ESTEVES

Óticas mutiladas


É assustador como os valores e os conceitos mudaram para pior. 
A sinceridade é mais uma das qualidades que envelheceu. Está tudo velho e o novo é completamente insano.
Não há mais pessoas sinceras. Quem é sincero, hoje responde por outro adjetivo: polêmico, ou seja, duvidoso, controverso, discutível, problemático, etc. Ser sincero, agora é um grave defeito.

terça-feira, 31 de julho de 2018

Os cães de Pavlov



A repetição é uma das bases da assimilação, da memorização e da incorporação de conteúdos. A repetição não é todavia, a base de um verdadeiro aprendizado. Ivan Petrovich Pavlov serve para cachorros e seres humanos precários. Freud, Jung, Reich, Lacan e outros, só podem ser aplicados a seres mais sofisticados. Afinal, até prova em contrário, cães não sofrem de complexo de Édipo.
Em certas regiões e camadas desta limada e polida cultura Judaico-Cristã, só se pode aplicar Pavlov.
Os cães estão à solta, hidrófobos, espumosos, loucos e de terno e gravata . 
Os cães latem preservando orgulhosamente o tom e as pausas dos latidos politicamente corretos. 
Cair no abismo, viver no abismo, caminhar no abismo é para muito poucos. Rezar no abismo é recurso desesperado de determinado setor. Negar o abismo é uma estratégia pretensamente astuciosa de quase toda a humanidade. 
A repetição por suas características promove a manutenção, o estatismo, o imobilismo, a paralisia e conduz à infelicidade.

O prazer da solidão




Somos animais sociais, já dizia Aristóteles. Precisamos dos outros para viver e dar sentido ao que fazemos. Mas também precisamos estar com nós mesmos, sem interrupções, sem telefones celulares ou redes sociais e sem nada que implique ruído externo. Não falamos da solidão profunda, que nos aterroriza, mas de um tempo para refletir, que nos ajuda a sermos mais exigentes, mais criativos e mais felizes. Quase nada. Vamos ver por que ela é benéfica e como consegui-la.
Primeiro, saber conviver com a solidão nos torna mais livres. Quando nos angustiamos ao estarmos sozinhos, nos aferramos a relacionamentos que podem ser nocivos ou a propósitos dos quais no fundo não gostamos, mas que nos aliviam. Na medida em que sabemos conviver sozinhos com nós mesmos (não estamos falando em ser ermitãos que é outra coisa), podemos ser mais exigentes com aqueles que nos rodeiam e claro, isso nos ajuda a termos mais autoconhecimento.
A ciência provou que a solidão nos permite valorizar mais o que temos. Nos anos noventa, Reed Larson, professor de Desenvolvimento Humano da Universidade de Illinois, realizou um estudo com adolescentes pedindo que levassem um pager. Durante alguns dias, tiveram de informar com quem estavam, o que faziam e como se sentiam. O estudo mostrou que quando estavam sozinhos estavam mais tristes, mas, curiosamente, depois desse tempo, quando voltavam a estar em companhia, seus indicadores de felicidade aumentavam mais comparativamente. De certa forma, podemos dizer que a solidão age como uma bússola, que nos faz valorizar mais o que temos ou como Larson resume, “age como um remédio amargo”.
E finalmente, nos ajuda a desenvolver mais nossos talentos. Os grandes cientistas não teriam chegado às suas conclusões se não tivessem tido espaços para realizar seu trabalho de modo solitário. Mesmo os líderes mais admirados precisam assumir a solidão na tomada de certas decisões que nem sempre são compreendidas, mas que são necessárias, segundo a análise publicada na Harvard Business Review. Se não dedicarmos tempo para trabalhar sozinhos, será difícil desenvolver todo o nosso potencial, porque a pressão de grupo nem sempre tem um impacto positivo sobre nós.
Em suma, se certa solidão é boa, precisamos colocar um parêntesis no ambiente e aprender a estar com nós mesmos. Portanto, deveríamos fazer uma pergunta simples: quanto tempo passamos por dia sem que o mundo ou as obrigações nos distraiam? Nossa agenda, inclusive durante as férias, deve incluir um tempo para estar com nós mesmos, sem celular, sem televisão. O objetivo não é criar uma solidão guiada por redes sociais ou pela televisão, mas um tempo que nos permita refletir, desfrutar dos nossos hobbies, praticar esportes ou simplesmente não fazer nada. E embora isso não seja compreendido por aqueles que nos rodeiam ou estejamos no meio de uma grande balbúrdia, precisamos defendê-lo junto ao parceiro, à família ou aos amigos. Só assim seremos capazes de nos conhecer melhor, descansar e desfrutar mais das pessoas que estão ao nosso lado. 
El País (Adaptado)

terça-feira, 17 de julho de 2018

O comportamento de manada


A estratégia que vem sendo usada por perfis falsos no Brasil e no mundo para influenciar a opinião pública nas redes sociais se aproveita de uma característica psicológica conhecida como "comportamento de manada".
O conceito faz referência ao comportamento de animais que se juntam para se proteger ou fugir de um predador. Aplicado aos seres humanos, refere-se à tendência das pessoas de seguirem um grande influenciador ou mesmo um determinado grupo, sem que a decisão passe, necessariamente, por uma reflexão individual.
"Se muitas pessoas compartilham uma ideia, outras tendem a segui-la. É semelhante à escolha de um restaurante quando você não tem informação. Você vê que um está vazio e que outro tem três casais. Escolhe qual? O que tem gente. Você escolhe porque acredita que, se outros já escolheram, deve ter algum fundamento nisso", diz Fabrício Benevenuto, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), sobre a atuação de usuários nas redes sociais.
Ele estuda desinformação nas redes e testou sua teoria com um experimento: controlou quais comentários apareciam em um vídeo do YouTube e monitorou a reação de diferentes pessoas. 
Quanto mais elas eram expostas só a comentários negativos, mais tendiam a ter uma reação negativa em relação àquele vídeo e vice-versa. 
"Um vai com a opinião do outro", conclui Benevenuto. Em seu experimento, os pesquisadores chegaram à conclusão de que a influência estava também ligada a níveis de escolaridade: quanto menor o nível, mais fácil era ser influenciado. 
Texto adaptado

domingo, 15 de julho de 2018

A massificação da produção literária

Não é mais preciso ter talento. Basta ser arrogante o suficiente para intitular-se escritor. Paradoxalmente, numa época de baixíssima criatividade, o mundo pariu escritores em todas as latitudes.
O advento da publicação digital aliado à ausência absoluta da mais ínfima auto-crítica, intoxicou-nos de poetas e literatos.
Só o futuro poderá avaliar adequadamente a pretensão ridícula desta enxurrada incoercível de homens e mulheres de letras.
Misericórdia!

sábado, 23 de junho de 2018

O recato das almas


Definitivamente, o ser humano é o animal mais envergonhado da via láctea. Por ser nu, inventou a alta -costura e por horror a si próprio, perdeu-se em mil máscaras e disfarces.
Pertenço a uma  espécie-travesti que sonega a realidade e finge acreditar profundamente na representação e na trapaça.
E eu, já estou farto de gente  bem vestida e arrumada de corpo e alma. 

sábado, 9 de junho de 2018

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Gato e sapato

Alguns ficam doidos tentando descobrir o sentido primeiro das expressões idiomáticas e dos provérbios. Não nos passa pela cabeça que muitas das vezes, são  obras de seres muito pouco brilhantes. 
Na expressão " fazer de gato e sapato" só a rima de gato com sapato pode explicar tamanha sandice.
A expressão inteligível deveria ser "fazer de cão e sapato". O cachorro sofre de ansiedade da separação e fica completamente louco diante da solidão. Já o gato, não só gosta da solidão como é feliz sozinho. 
Como maltratar alguém que está muito bem sozinho. Como fazer do gato, sapato? Como? Impossível.
Por analogia, deduzo que só os humanos que são demasiado caninos - e estamos muito mais próximos dos cães como animais gregários - podem ser vilipendiados, humilhados e desprezados pelo grupo.
O ser humano poderia desenvolver um lado que não lhe é próprio; o lado felino. E digo mais, gratuitamente e para todos: um ser humano que tem boas relações com a solidão e que tem a sua libido sob controle, é simplesmente imparável.
P.S.- Nenhuma destas constatações impede minimamente a convivência social.

sábado, 26 de maio de 2018

Kafka e a boneca viajante

Um ano antes de sua morte, Franz Kafka viveu uma experiência singular. Passeando pelo parque de Steglitz, em Berlim, encontrou uma menina chorando porque havia perdido sua boneca. 
Kafka ofereceu ajuda para encontrar a boneca e combinou um encontro com a menina no dia seguinte no mesmo lugar. 
Nao tendo encontrado a boneca, ele escreveu uma carta como se fosse a boneca e leu para a garotinha quando se encontraram. A carta dizia : “Por favor, não chore por mim, parti numa viagem para ver o mundo. ”. 
Durante três semanas, Kafka entregou pontualmente à menina outras cartas que narravam as peripécias da boneca em todos os cantos do mundo: Londres, Paris, Madagascar… 
Tudo para que a menina esquecesse a grande tristeza! 
Esta história foi contada para alguns jornais e inspirou um livro de Jordi Sierra i Fabra ( Kafka e a Boneca Viajante ) onde o escritor imagina como teriam sido as conversas e o conteúdo das cartas de Kafka. 
No fim, Kafka presenteou a menina com uma outra boneca. 
Ela era obviamente diferente da boneca original. 
Uma carta anexa explicava: “minhas viagens me transformaram…”. 
Anos depois, a garota encontrou um bilhete enfiado numa abertura escondida da querida boneca substituta. 
O bilhete dizia: 
“Tudo que você ama, você eventualmente perderá, mas, no fim, o amor retornará em uma forma diferente”.
Franz Kafka e a Boneca Viajante

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Animais do abismo

" A imperfeição da vida nos é insuportável, temos horror em ser animais do abismo, por isso buscamos utopias de perfeição."
Luiz Felipe PONDÉ

sábado, 19 de maio de 2018

Eu não sou culpado

E de repente, o mundo ocidental é tomado por uma onda avassaladora de remorso e arrependimento. Tudo falso, como de costume. O pior é que eu e muitos outros, fomos eleitos bodes expiatórios  para os pecados da maioria.
Só me relaciono com minorias e tenho verdadeiro horror à cultura de massas.
Nunca maltratei mulheres, nunca descriminei homossexuais, nunca humilhei deficientes físicos ou mentais, nunca oprimi negros, ainda mais que eu nasci na África, nunca espanquei transsexuais, nunca ultrajei crianças, nunca me opus ao vegetarianismo, nunca. Agora a patológica civilização ocidental quer me obrigar a reaprender a falar, utilizando termos que adoçam o sentimento de culpa e o crime. Eu não tenho culpa. 
Procurem os culpados. Encontrem-nos e punam-nos. No tribunal desta absoluta confusão mental, eu proclamo a minha inocência.

sábado, 12 de maio de 2018

O advento do pavonismo

É com profundo e extremo pesar que constato a morte do narcisismo. Adeus narcisos, adeus ninfas, adeus mitologia.
Saímos da botânica e entramos na ornitologia. Habito o planeta dos pavões. Pavões tatuados, pavões musculosos, pavões de penas sintéticas, pavões de cativeiro, pavões sabichões, pavões voadores, pavões estressados, pavões senadores, pavões magistrados, revoadas de pavões, pavões...
Darwin estava errado. A involução chegou ao Homo Pavos.

sábado, 28 de abril de 2018

Em plena caquistocracia

O GOVERNO DOS PIORES
Para entender melhor a motivação que fez esta palavra nascer (seja lá quem tenha sido o seu criador), é necessário voltar, na Grécia antiga, à obra de Políbio que morreu no ano de 125 a.C. Assim como todas as coisas estão sujeitas à degeneração, dizia ele, também degeneram as formas de governo que podemos adotar. Assim como a ferrugem para o ferro ou o caruncho para a madeira, são enfermidades internas que podem destruir esses materiais, cada um dos regimes políticos conhecidos traz consigo o risco de uma enfermidade que pode desvirtuá-lo: a monarquia, com o rei bom, pode degenerar em tirania (ou despotismo). A aristocracia, em que mandam os mais sábios (de aristós, "o melhor" + cracia, "poder"), pode degenerar em oligarquia (de olígos, "pouco" + arquia, "autoridade"), o governo de poucos, ávidos predadores da sociedade. Finalmente, a democracia (de demos, "povo") pode descambar para a oclocracia (de óclos, "multidão"), o governo da ralé que, controlada por demagogos, usa a força bruta para se sobrepor à lei e às instituições.
Políbio preconizava, como preferível, um sistema político que misturasse as virtudes das três formas benignas (monarquia, aristocracia e democracia) para estabelecer um regime misto em que os melhores mandassem em nome do povo, mas nunca chegou a pensar, como fez Michelangelo Bovero, na possibilidade oposta - um regime em que viessem a se combinar as características das três formas degeneradas (tirania, oligarquia e oclocracia). 
Bovero que é nosso contemporâneo, acompanhou a dissolução política que caracterizou a Itália de Berlusconi e viu nascer esse sistema - hoje tão próximo do Brasil e de seus vizinhos - que mistura a cega violência da massa, a oligarquia dos ricos e o autoritarismo quase ditatorial dos líderes demagógicos. Pois foi justamente para nomear esta sinistra combinação dos vícios e defeitos de todos os sistemas que lhe ocorreu (como já tinha ocorrido a outros, antes dele) juntar a cracia o elemento kakistos, "pior" (superlativo de kakos, "mau, ruim" - o mesmo que usamos em cacófato e em cacofonia). É claro que nem ele, nem Venturini, nem ninguém antes deles pode ser considerado o "pai" desta palavra. Caquistocracia nada mais é que um vocábulo que já existia virtualmente no nosso estoque de palavras possíveis, à espera apenas, de que a vida real produzisse as condições necessárias para que alguém o empregasse. E o momento é agora.
Texto adaptado do site GAUCHAZH

sábado, 14 de abril de 2018

Os encantadores de demônios

Sempre tivemos encantadores de serpentes. Hoje, nesta época encantada, temos muito mais. Há encantadores de cães, de gatos, de idiotas, de narcisos e de demônios, entre outros.
A fusão do desespero com a ignorância é terra mais do que fértil para os encantadores de demônios. Desesperado, o indivíduo faz qualquer coisa. O desespero é a razão cremada. Desesperado e ignorante, o indivíduo faz muitíssimo mais que qualquer coisa.
Os encantadores de demônios, também conhecidos como pastores neo-pentecostais, institucionalizam o encantamento do diabo. Cadê o Ministério Público?

segunda-feira, 9 de abril de 2018

A maioria segundo Goethe

E este blog criado em 2013 é dedicado a todos os reféns da maioria. É provável que você também seja um refém anônimo e desamparado dessa massa amorfa e monstruosa.

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Comunhão e solidão

Conviver não é de graça, embora pareça quase gratuito e muito divertido. Já a solidão, essa é um tabu ou uma doença para animais de bando. O que resta saber é qual é o preço que você pode pagar. A gorda maioria, acha uma extorsão o custo da solidão. A convivência engana mais a consciência e os sentidos. A vida em comum até pode se apresentar como ausência total de solidão.
Digamos que os mais emocionalmente pobres podem pagar o preço da comunhão. A solidão é considerada muito mais onerosa. São raros os que optam pela solidão. Solidão é para poucos. Com certeza que só  escolhe e consegue pagar o alto tributo da solidão quem pertence à casta de almas ricas.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Humanizar a pós-civilização

Nunca se empregou tanto o verbo humanizar. Quase tudo tem que ser humanizado. É bastante suspeito. Dizem que temos que humanizar a saúde, o ensino, as prisões, o atendimento, a política, os transportes e até mesmo o baixo meretrício.
É insofismável. Viramos as costas ao humanismo. Nesta pós-civilização, para não usar a palavra barbárie porque hoje tudo é pós, as relações humanas vivem um grande embaraço.
Criaram-se modismos comportamentais que nos desumanizaram. Somos cada vez mais menos humanos. A novas tecnologias tão apreciadas e decantadas são as maiores responsáveis por este ser sub-humano e exótico que nos assusta e ameaça.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

O devorismo

Devorar é um ação muito associada a Cronos na mitologia grega. Cronos devora.
Hoje, precisamos de muitíssimo pouco tempo para sermos devorados ou para devorarmos nossos congêneres. Consumir é um verbo ultrapassado e obsoleto. Já passamos do consumismo ao devorismo. Vivemos tempos de extrema voracidade e sofreguidão.
Devoramos coisas e pessoas no instante breve, curto e abrupto de alguns momentos ou de meia dúzia de posts. Depois, não há mais nada nem ninguém. Resta-nos apenas a sensação pungente de uma incompletude descomunal.
Texto© : JoaquimESTEVES

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Demônios nostálgicos

Só tenho relações cordiais com demônios nostálgicos. Demônios em estado puro, não se dão comigo. Ainda que o maniqueísmo seja eivado de preconceitos, eu creio na divisão entre o bem e o mal. É inarredável. Existe o bem e o mal. Toda a argumentação em contrário, é embuste e burla.
Os demônios 24 quilates, também são conhecidos como psicopatas. Psicopata, é a terminologia científica para demônios cem por cento demônios. A psicopatia é a moléstia invisível do terceiro milênio.
Os demônios em estado puríssimo sentem-se muito atraídos pela política. A política é o paraíso dos demônios absolutos. Há demônios no paraíso.
Creio na existência de demônios totais, só isso explica o estado geral da civilização. E não adianta ficarem com raivinha de mim porque eu denuncio as calamidades do espírito. Posso provar que não sou um demônio integral e posso fundamentar tudo o que estou dizendo.
Eu também sou um Anjo Decaído, mas ainda me lembro um pouco do Jardim do Éden.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

E onde está a tua felicidade?













Onde está a tua felicidade?
Ensinaram-te a procurá-la exatamente onde ela não pode estar. No engodo do processo educacional, fizeram-te acreditar que ela estava ao alcance de todos, era fácil e visível. Bastaria para tanto, seguir os caminhos da maioria. A felicidade parece estar à espera de todo mundo, na curva do casamento, na promoção do trabalho, no acúmulo financeiro, na falsa surpresa da procriação, nos amigos, na viagem a Paris, no time de futebol, na família e na religião. A felicidade não é um sentimento acessível e revelado; a felicidade é um segredo pessoal e intransferível.
É preciso estar atento e viver alguns anos para se descobrir que a felicidade só está nas frestas da civilização, nas fissuras do grande horizonte social. Já se disse que a felicidade está nas pequenas coisas. Nada mais exato. Acrescento, entretanto, que as pequeninas coisas só cabem nas brechas e nas pequenas aberturas da atividade humana.
Espreita as fendas do que aparentemente não tem importância nenhuma. É aí que vais achar.
No teu hobby, nas tuas plantas, no teu cachorro mimado, no teu carro velho, na música da tua solidão, no café da tua manhã, no teu passeio sem pressa, no insight de uma reflexão, em um detalhe da tua casa, no afeto de uma recordação longínqua, no cochilo da tarde morna, no prazer de usar sapatos novos, no barulho da chuva chamando o sono, na visão ímpar do mar sem sol, em uma leitura breve antes de dormir, enfim, tu é que vais descobrir. Só não te esqueças de vigiar as frinchas que ninguém repara.