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sábado, 27 de julho de 2019

É proibido odiar

Eu não estou a defender o ódio, mas o ódio é inevitável, intrínseco e inexorável. Depois que cunharam a expressão " discurso de ódio", o que vamos fazer com o ódio que sentimos?
A prova irrefutável da patologia, da infantilidade  e da insanidade do politicamente correto é a negação do óbvio e a repressão da evidência. Isso não acaba com o mal; apenas o mascara.
Todos sabem que o amor é o sentimento mais raro no planeta e  que o seu antípoda é o mais comum. Alguém refuta esta conclusão ululante? Ou por outra, se as pessoas não sentem ódio, sentem uma incomensurável indiferença. Será que vão proibir a indiferença também?
O ódio não é uma doença; o ódio é só um sentimento que não pode ser extinto por decreto.
Ironicamente, só estamos autorizados a amar e quase ninguém ama.

sábado, 1 de junho de 2019

A ortomania

No líquido da pós-modernidade que escorre não sei para onde, surge algo sólido e concreto: a certeza de que há uma maneira certa para se fazer o que quer que seja.
Agora, há uma maneira certa para seduzir, para fazer sexo, para se vestir, para arranjar um emprego, para falar, para fazer cocô, para viajar, para escrever um livro, para se vestir, para cozinhar, para ser.
E para nos ensinar tudo isto, temos o coach, de procedência duvidosa, que sabe tudo, é idolatrado e ganha milhões. Tempos sombrios. 
*Ortomania, neste sentido é um neologismo meu, mas também pode ser uma mania imaginada por linhas retas.

sábado, 18 de maio de 2019

O animal envergonhado


O animal que existe no homem é proibido. Contraditoriamente, também usufruímos do animal escondido. 
Todas as características  eminentemente animais são tacitamente negadas. Defeca-se, urina-se, tira-se meleca do nariz, peida-se e fode-se veladamente.
Como dizia Nietzsche: "somos uma corda atada entre o animal e o além do homem." Somos uma corda sobre o abismo.

sábado, 13 de abril de 2019

Próximo livro

Uma história real acontecida no final dos anos 80, no Brasil, que expõe o horror da psiquiatria e dos hospícios dessa época.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Os novos penitentes

Quando me assusto com a estética da pós-modernidade, sou levado a pensar que se trata de uma nova forma de penitência.
Tatuagens feitas às custas de muito dinheiro e sofrimento, alargadores de orelhas e não só, piercings, roupa rasgada, mochilas gigantes,  body "art", corset piercing, músculos expostos e gorduras esparramadas, cabelos azuis, barbas  à Pedro II, cabeças raspadas e para completar, celulares sempre ligados. Com certeza, são os novos pagadores de promessas.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

O pós-humano

O pós-humano tem a nova cara do fascismo e não parece porque a maioria se diz apaixonada e solidária com todas as minorias e com todas as vítimas de preconceito. Ou é piada ou é puro delírio.
O que é que houve? Será que o impossível aconteceu? Desde quando a maioria estulta se interessa por injustiças? Não consigo acreditar em tamanha magnanimidade. Há alguma impostura neste modismo.
Numa época de desenfreada barbárie querem me convencer que o pós-humanismo  se humanizou? Só pode ser uma farsa intelectual.