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segunda-feira, 15 de novembro de 2021

O caminho insano das vinganças impossíveis

Todos, sem exceção, já foram golpeados nas suas almas. A alma ferida só precisa de curativos. Não se pode reverter uma ferida através de vinganças quiméricas. A vingança não pode demorar muito tempo a ser executada. Acredito piamente no poder redentor da réplica, da refutação e da desforra.
Quando já não se sabe onde estão os carrascos ou se já morreram, é muito melhor tentar curar a ferida. Se não houve coragem para uma resposta imediata e à altura, só nos resta acariciar e embalar a nova chaga. Aprimore também a sua capacidade de revide e não tenha medo de ficar só.
Desenvolva a habilidade de tratar de lesões anímicas porque são muito frequentes, considerando que o mundo é uma máquina de dilacerar.
Há os que não levam desaforo pra casa. Você até pode levar alguns desaforos pra casa, mas procure nunca deixá-los entrar na sua alma.

sábado, 6 de novembro de 2021

Os prazeres da modernidade

A pós-modernidade perdeu o refinamento, as nuances e as sutilezas de outras eras. Sinto saudades de sentimentos mais sofisticados. É chocante depararmo-nos com o animal humano em estado puro.
A voracidade no comer e a crueza no sexo caracterizam este momento que teima em não desaparecer. É o horror dos MasterChefs e a pornografia a céu aberto.
Parece que as almas feneceram e só sobrou a besta fera escondida no politicamente correto. Todas estas práticas culturais associadas às novas tecnologias, dão-me ânsias incoercíveis de vômito. Desculpem, acabei de vomitar e não pedirei licença para vomitar outras vezes.

A super utopia

Já fomos enganados por várias utopias. A utopia não tem a intenção de iludir, entretanto, descobrimos a posteriori que fomos redondamente ludibriados. Quando a utopia é criada parece possível e até real.
Desde a República de Platão, passando pelo cristianismo, pela revolução francesa, pelo romantismo, pela revolução Bolchevique, não cansaram de nos enganar.
Hoje, com as profecias distópicas de Aldous Huxley e George Orwell praticamente confirmadas, paradoxalmente nasce um super utopia, a maior de todos os tempos. 
Pretende-se que numa atmosfera distópica se realize uma hiper utopia. Pretendem os ignaros que o mundo seja justo e livre de preconceitos na marra.
Vive-se uma espécie de tirania da ultra utopia. Quem discordar desse devaneio perigoso está condenado à execração pública.
Para os super utópicos o mundo não pode ter uma réstia de racismo, de misoginia, de machismo, de homofobia, etc. É lindo, porém é falso, assustador e impossível.

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

As vísceras expostas do mundo

Vísceras não são bonitas. Sempre apalpei as vísceras hediondas do mundo. Sabia que eram acessíveis ainda que a maioria as negasse. 
Sou apaixonado pela anatomia do mundo  e agora nem preciso imaginar. As redes sociais e esse despudor da modernidade expõem os bastidores metabólicos do bando. Que nojo! 
Pra disfarçar sobram utopias extemporâneas. A cambada desvairada diz que sonha e luta por um mundo perfeito, sem racismo, sem machismo, sem misoginia, sem homofobia, sem injustiças e sem  preconceito nenhum. É próprio das legiões violentas, sonâmbulas e variadas impor fanaticamente aos ajuizados as suas demências mais terminais.
P.S. - Antes de ser contra os preconceitos, sou contra os delírios sem decoro nem decência.

terça-feira, 5 de outubro de 2021

O varejo das almas - Crônicas

 

Este livro é uma continuação desordenada e aleatória do meu primeiro livro “Na Jugular – Dissecando Vivos.”
Como no livro de 2016, discorro sobre tudo o que me indigna. Poderia classificar de forma inédita, a minha literatura como “uma literatura indignada e catártica”.
A “minha literatura”, pelas suas características didáticas, objetivas e frontais, está condenada ao descaso e ao esquecimento. E isso é um bom sinal.
Os best-sellers preferem tergiversar e não dizer nada. As massas que nunca leram nada, absolutamente nada, sucumbem ao encanto fátuo dos que cultivam lugares comuns.
A humanidade não caminha. Está sempre no mesmo lugar. E o que me apaixona não é a geopolítica, nem ciência e muito menos a economia. O que sempre me moveu foi e é a metafísica.
Gosto de grandes almas. Não dessas alminhas mesquinhas que atrapalham e poluem o varejo e ao que parece, é ao que eu estou condenado e é o que me resta.
Para os que acharam as minhas palavras muito fortes e contundentes, saibam que são palavras de um inocente.

“Acho que um livro deve ser uma ferida, deve mudar a vida do leitor de uma forma ou de outra. Um livro deve derrubar tudo.”
Émil Cioran

Livro de 2021 - O varejo das almas

 Servindo-se de ensaios e crônicas, o autor tendo como pano de fundo a atmosfera inconsistente da modernidade líquida, critica duramente as práticas culturais das duas últimas décadas.
Amparado por uma escrita veemente, incisiva e indignada, direciona as suas armas mais fulminantes, de maneira vigorosa e repetida, contra o politicamente correto, a hipocrisia institucionalizada, o crepúsculo do humanismo e a psicologia insensata das massas.
Todavia, a essência do seu discurso neste contexto insano, tem como projeto e desígnio primordial a busca e o encontro da felicidade por meio de caminhos alternativos, inusitados e muito impopulares.

sábado, 7 de agosto de 2021

Os novos expurgos

Com o advento da discriminação positiva e considerando que o monstro do ser humano está em toda a parte, surgem os novos expurgos da modernidade.
Trata-se de um processo tresloucado e aleatório que visa limpar o planeta eliminando sumariamente os diferentes.
Temos todos que viver o suplício no inferno do igual. Quem não gostar de transexuais está condenado à execração pública. Todos têm que gostar exatamente das mesmas coisas e pessoas.
Quem não gostar de anões, estará cometendo o pior crime de que se tem notícia na história da humanidade.
Essa minoria ruidosa que quer depurar tudo, inclusive o passado, faz muito alarido, mas não tem representatividade.
O pior é que essa minoria com o apoio das redes sociais e com esse discurso falso e inútil só tem a credibilidade de quem grita mais alto.
Na terceira década do século 21 o barulho é ensurdecedor e os resultados concretos não aparecem no horizonte.

sábado, 5 de junho de 2021

Dádiva

A vida é uma dádiva. E eu nem pedi este mimo sutil. Fui contemplado com um brinde bizarro e mal-ajambrado. Não sei como se brinca com este presente insólito e não consigo usufruir deste infortúnio embalado em papel de oferenda.
Mente quem diz que a dádiva é maravilhosa.
Uma dádiva para quê? Para que serve esta dádiva? Não me divirto com favores malditos. 
E ainda dizem que eu tenho que agradecer a fraude desta oferta dolorosa.

sábado, 22 de maio de 2021

Errata

Vivemos enredados nas loucuras uns dos outros. Somos insanos por natureza. Somos um acidente da matéria. Somos um descuido cósmico. Somos um tropeço metafísico perturbador e enigmático.
Vivemos o abandono e a sofrida orfandade de quem não conhece os seus pais.
Somos uma máquina de sofrer. Somos um absurdo teimoso que insiste em achar sentidos.
Somos os patrões da inutilidade. Tantas estradas, atalhos e encruzilhadas para acabarmos podres e fétidos. Somos a erva daninha gigante e racional que devasta os lírios do mundo inteiro.

domingo, 2 de maio de 2021

Os titeriteiros

O esplêndido profeta George Orwell acertou em muita coisa, mas errou num detalhe: não é o Big Brother, são os Big Brothers.
Gostaria muito de conhecer pessoalmente os funcionários do Google, da Microsoft, do Facebook, etc.
Os gigantes das novas tecnologias se apropriaram de um poder jamais visto. Nunca ninguém teve tanto poder nas mãos. Pessoas de todas as nacionalidades, de todos os matizes, de todas as faixas etárias, imploram para ser manipuladas.
A comunicação com esses gigantes é complicada e muitas vezes, impossível. Sentimo-nos impotentes diante das façanhas dos nossos bonequeiros. Submetemo-nos de bom grado e agradecemos a dominação e o controle   com um grande sorriso nos lábios.

A guerra não é mais furtiva

Com raras exceções, os "soi-disant" sentimentos, propalados em verso e prosa, entre homens e mulheres, não passam de resíduos químicos da testosterona.
De uma forma geral, salvaguardados os casos atípicos, a relação entre homens e mulheres é uma situação de dependência química e psíquica devidamente dissimulada e orquestrada pelo folclore cultural.
Hoje, essa guerra ortodoxa e tácita não é mais furtiva. A guerra foi declarada pela terceira onda do feminismo.
Neste exato momento, os homens estão acuados, sangrando e muito assustados. As mulheres vencem e têm certeza da vitória. Todavia, a  verdadeira guerra explícita começou há pouco tempo. Que vença o mais forte.

sábado, 24 de abril de 2021

As crianças-prodígio

Vivemos a época dos imponderáveis. Hoje, uma criança sem um centavo no bolso, no capitalismo muito selvagem, é capaz de controlar e tiranizar os pais, os avós, todos os correlatos familiares, os professores e muita gente mais.
Que poder é este?
Os pais oriundos de uma geração mais sentimental e ingênua, precisam e dependem do "amor" dos filhos. Compram esse sentimento falso dando-lhes tudo e mais alguma coisa. Em contrapartida, os filhos moderninhos estão defecando e caminhando para o amor dos pais.
Atualmente, as crianças já nascem velhas, austeras e cruéis. (Aliás, sempre foram cruéis.) Não têm lugar nos seus coracõezinhos para um pouco de pieguismo e afeto pueril. É deprimente.

quarta-feira, 7 de abril de 2021

O festival dos clichés

 

A família é a base da sociedade. 

Sem família está tudo perdido. 

Filho único é problemático.

Judeu é sovina. 

Português é burro.

Francês é chique. 

O brasileiro é um povo cordial.

Deus é onipotente, onisciente e onipresente.

As mulheres são muito sensíveis.

Os homens só pensam em sexo.

A tatuagem é uma forma de expressão.

Cerveja dá barriga.

Deus é fiel.

A virgem Maria era virgem. 

Só o amor constrói.

A democracia é um sistema maravilhoso.

O papa é infalível.

Há sempre um lado bom das coisas.

Crescei e multiplicai-vos. 

O nosso amor é para sempre.

Mulher é o sexo frágil.

Está escrito na bíblia.

A bíblia diz. 

Somos todos iguais.

Deus castiga.

Temos liberdade de expressão.

Quem espera sempre alcança.

As crianças são umas gracinhas.

Somos livres.

Bandido bom é bandido morto.

Só transo por amor. 

Sem você não sou ninguém. 

Esse cara sou eu. 

Deixa que eu resolvo.

Não tenho inimigos. 

Adoro a natureza. 

Salvem as baleias.

Seja vegano.

Venci na vida. 

Como todas. 

Toma este remedinho que passa.

As coisas vão melhorar. 

A vida é bela.

O inglês é uma língua muito fácil.

O importante é a beleza interior.

O Brasil é campeão.

Ele era fantástico, pena que já morreu. 

Cuidado com o juízo final.

Isso é olho gordo.

Eu te ligo.

Posta no face. 

É um festival de milagres. 

Formamos uma bela equipe. 

O chefe é um filho da puta. 

O síndico é ladrão.

Um beijo no coração. 

Jesus está voltando. 

Os sindicalistas são todos comunistas. 

Não vamos transar hoje. Vamos nos conhecer melhor.

Amai-vos uns aos outros.

Eu amo todos vocês. 

Você é o segundo homem a quem eu me entrego completamente. 

Existem os políticos bons.

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sábado, 13 de março de 2021

Pessoas e fantoches

Caro leitor. Você tem que se esvaziar. Vomitar é uma boa maneira de se desvencilhar dessa gororoba falsa que apodrece na glia de seu cérebro. Durante décadas, lotaram o seu sistema nervoso central com ideias, conceitos e visões de mundo completamente idiotas.
Cuspa, escarre, urine, defeque ou ejacule essa quantidade infame de dejetos que a sociedade e os outros te obrigaram a engolir. Não tenha medo de pensar que a maioria está errada. Eu sei que eles intimidam, mas são estúpidos. A maior prova de que eles estão errados é o estado geral do planeta.
Permita-se ter o seu cérebro vazio por algum tempo. Isto é puro budismo informal. Gradualmente, preencha o seu ser com o que vida te disse ao pé do ouvido. Entulhe o seu âmago com as suas percepções, as suas conclusões, as suas experiências, as suas observações e o seu sofrimento docente. Reflita. O que dizem não corresponde ao que você viu e viveu. É tudo muito louco e espúrio.
Esqueça os outros. Eles já atrapalharam demais a sua vida. Deixe de ser um fantoche. Fantoches, não faltam. São quase todos fantoches. Tenha coragem de ser uma pessoa de verdade.

terça-feira, 2 de março de 2021

Corações sem alma

É assustador. Parece que todos foram mordidos pela cobra peçonhenta da modernidade líquida. Estamos todos envenenados. Se vocês não veem o que eu vejo, com certeza não têm elementos de comparação e acham que o mundo começou por volta do início terceiro milênio.
Na época atual, o bonito é ter o peito vazio, ocupado apenas por um músculo que não vai além da fisiologia.
Para mim é óbvia a arrogância que tomou conta de todo mundo. Até pessoas com mais de 50 anos entraram nesta onde maligna.
A miséria afetiva é tanta que não há nem um bom dia para oferecer a um vizinho. Aliás, acho que nem há mais vizinhos, mas oponentes próximos e gigantescos viveiros de psicopatas.
Se vocês consideram que o comportamento do pós-modernismo é natural e prosaico, vocês estão muito loucos.
Detesto ser repetitivo, mas asseguro-vos que por conseguir ver isto que vocês não vislumbram, sei da alegria descomunal que todos sentirão quando esta época der lugar a um momento histórico mais são.
Esta época também passará.

domingo, 7 de fevereiro de 2021

As vítimas de preconceito querem vingança

As vítimas de preconceito com as quais me solidarizo, já quiseram apenas igualdade. Infelizmente, agora, eles querem igualdade com vingança.
Lamento muito. Esta é a verdade para quem consegue ver e sobretudo sentir.
Vingança consiste na retaliação contra uma pessoa ou grupo em resposta a algo que foi percebido ou sentido como prejudicial. Embora muitos aspectos da vingança possam lembrar o conceito de igualar as coisas, na verdade a vingança em geral tem um objetivo mais destrutivo do que construtivo.

sábado, 2 de janeiro de 2021

As fronteiras minadas do amor-próprio

Nesta onda compulsiva de estímulo obsessivo ao amor-próprio, incorremos em uma das  maiores desgraças contemporâneas.
Como toda atividade humana, o encorajamento desenfreado à autoestima, nos levou ao que há de mais negativo na promoção do amor a si mesmo.
Em uma época em que todo mundo bate no peito para dizer que se ama demais, caímos na tragédia coletiva da arrogância geral. O que denominam de amor-próprio, hoje é arrogância, soberba, pedantismo, petulância, atrevimento, desrespeito, descaramento, desfaçatez, insolência e masturbação.
Mais uma vez, a espécie humana fracassa no seu intento de incentivar uma prática útil e auspiciosa.
Até eu, estou mais arrogante. Que lástima!