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terça-feira, 8 de abril de 2014

EU NUNCA CHEGAREI À INDIFERENÇA

Apesar de Isaac Asimov afirmar que o preço da liberdade é a indiferença, eu nunca chegarei à indiferença e me considero livre.(Não essa liberdade panfletária e improvável.) Ainda que ele diga com muita convicção e ênfase que o Universo é extremamente indiferente, eu nunca chegarei à indiferença.
Nunca fui indiferente a nada. Estou completamente conectado com tudo que se passa à minha volta e não só, e a minha reação nunca é a indiferença.
Ao contrário de Raul Seixas, eu tenho opinião formada sobre quase tudo, afinal já tive tempo hábil para tanto. A minha opinião não é velha, adapta-se mas não se metamorfoseia. Recuso-me a ser uma metamorfose ambulante. O que Raul sugere é impraticável embora pareça poético e revolucionário. Metamorfose ambulante? Que porra é essa? Transformar-me o tempo todo? Isto é mais uma das milhares de tolices da música popular brasileira com todo o respeito que possa merecer Raúl Seixas.
Os indiferentes se não são mortos-vivos, vivem o torpor do adormecimento em vigília mediante doses cavalares de anestesia intra-anímica. A ordem normal das coisas encaminha-se para a indiferença, para uma solene indiferença. Poucas vezes pressenti tanta indiferença. Os que acham que eventualmente representam alguma coisa para os outros de uma forma geral, não representam porra nenhuma. Correm nas veias rios tranquilos de indiferença.
Se o infortúnio não atingiu o cidadão de jeito, ele nem reage. Tudo o que transcorre fora dele, só provoca uma reação da parte dele, se lhe trespassar as entranhas endurecidas pela familiaridade com a indiferença. Ouso dizer que todo o indiferente tem traços visíveis de psicopatia.
As palavras que menos se escutam são as que mais são ditas no discurso íntimo e oculto longe do grande teatro social: - Foda-se! O que é que eu tenho a ver com isso?
Tem tudo a ver. Mas a covardia, a ignorância, a acomodação e preguiça refinam as performances da indiferença. Se o seu vizinho foi assaltado não comemore o fato, achando que você está livre dos bandidos. Você com certeza será o próximo.(O Brasil não tem tecido social.)
A despeito dos conselhos em contrário, que me enchem de raiva e indignação, vou continuar me demarcando para que todos saibam de maneira muito clara qual é a minha posição. Eu não só me posiciono como me demarco. É fácil saber quem eu sou. O que dizer de um indiferente contumaz? Que troço é esse que até parece humano?
Se você acha que está arrasando porque nada mais te toca, porque a sua sensibilidade já é uma múmia embalsamada e o seu coração um depósito de "deixa pra lá", você não passa de um monstrinho asqueroso. Você já teve morte cerebral. Chame o rabecão para te enterrar morto-vivo de merda.

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