.

.

.

.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

COMEMORANDO AS PERDAS

"A pétala da flor queixava-se desolada à aurora por ter perdido a sua gota de orvalho, mas esta radiante, mostrou-lhe que havia perdido todas as suas estrelas."
Autor Desconhecido
O que chamamos perdas não passam de recomeços. Nunca entendi por que não se comemora o divórcio. Para o senso comum, só o casamento significa uma nova vida. Na minha opinião, o divórcio, esse sim é uma maravilhosa nova vida. O pós-divórcio tem elementos existencialmente ricos que o casamento nunca sonhou em possuir. Comemoremos  pois o divórcio.
A maioria das perdas da minha vida, racionalmente analisadas, não passaram de grandes alívios. Sou imensamente grato a todos as mulheres que me deram um pé na bunda. Pés benditos que me conduziram a esta felicidade sem fim que agora sinto. Todos os que não quiseram a minha companhia, facultaram-me o direito e privilégio de ter a minha própria companhia. Obrigado ex-amigos. Muito obrigado mesmo. É muito emocionado que lhes agradeço.
Os que rejeitei, rejeitei muito bem. Estou feliz por terem ido embora. A maioria das pessoas que aparece nas nossas vidas não serve para nós. Vamos nos acomodando e ficando com elas por carência afetiva braba. O pior problema da humanidade é a carência afetiva. Resolva-se essa carência visceral e tudo o mais estará resolvido. Enquanto procurarmos significação nos outros, corremos para o abismo. Você não precisa tanto assim dos outros. Veja que planeta fantástico você tem à sua disposição. Que planeta lindo! Temos as flores, os frutos, os oceanos, o vento, a chuva, os animais selvagens, o céu azul, o sol, a cores do horizonte e os espaços abertos. Descubra a miríade de coisas prazerosas que você pode fazer sem os outros. E você procura justamente o que há de pior no planeta: o ser humano. Coitado de você! Você que repete o credo coletivo e nunca chegará à felicidade. No máximo, você sempre será um colecionador de alegrias. No máximo, você apenas terá crises de entusiasmo vão.
Gostaria muito que soubessem todos quantos têm capacidade de aprender com a vida e a vida é uma excelente professora que as perdas podem tornar-se ganhos valiosos. Até a perda de entes queridos é uma excelente possibilidade para refletir sobre a transitoriedade da vida. Entristecemo-nos, como dizia Albert Camus, porque ignoramos e esperamos. Não ignore nada. Não ignore a sua finitude e a sua fragilidade.
Ao contrário do que dizem, a ignorância não é um bom caminho para a felicidade. A ignorância é um atalho muito perigoso e mesquinho para a verdadeira felicidade na terra. Não ignore. Procure ver todas as possibilidades. E não espere, faça acontecer.

Um comentário: