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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

HOMO DECEPTIONANTIS

O latim é por minha conta e risco.
"Il n'y a pas de jour où, rêvant à ce que j'ai été, je ne revoie en pensée le rocher sur lequel je suis né, la chambre où ma mère m'infligea la vie, la tempête dont le bruit berça mon premier...."  "O rochedo sobre o qual eu nasci, o quarto onde minha mãe me infligiu a vida."
François-René de Chateaubriand - Mémoires d'Outre-Tombe
Tem que haver alguém que diga as coisas. Ter liberdade de expressão e não se exprimir é um crime. Hoje são poucos os que dizem alguma coisa. A maioria é indiferente ou os que não são indiferentes se refugiam na hipocrisia confortável e repugnante do politicamente correto. Na minha entourage, eu sou um dos poucos que diz alguma coisa. 
Ninguém diz nada. Escondem-se nas futilidades, debatem o óbvio e escavam o cotidiano em busca de records, curiosidade e informações inúteis. Impera solene a mais absoluta falta de criatividade. Exageram no cuidado da carcaça que se deforma apesar dos ferros das academias e dos  retoques das plásticas. Repetem milhares de vezes, milhares de frases feitas, velhas e sem sentido. O que era muito velho agora está tatuado e usa piercings. Enganam-se e querem enganar contestando o incontestável, falando de perfume onde fede a merda.
Digam a verdade. Não conheci até hoje, depois de mais de meio século  de permanência no planetinha maluco, ninguém que não estivesse decepcionado com esta espécie. Todos sem exceção têm críticas e muitas reservas em relação aos doidinhos da via láctea. Então digam. Não tentem camuflar esta evidência com meias palavras, eufemismos ou mentiras descaradas.
A parafernália cultural montada para encobrir o que todo mundo finge que não vê e que não sabe, cada vez se sofistica mais. A publicidade é uma praga maquiavélica que cada dia faz mais vítimas. E quanto mais inventam aparatos tecnológicos, mais continuamos na mesma ou até em situação pior.
Vamos ao essencial. Chega de farfalhar as coxinhas dos problemas. Detesto quem tergiversa. Odeio quem tapa o sol com a peneira. 
Eu tive um gigantesco azar metafísico. Nasci humano e sujeito a esta espécie suicida, fraca, frágil, perdida, assassina, ladra, má, corrupta, torturadora, cruel e muito filha da puta. Isso para não falar das ameaças que sempre rondam os mais arrogantes da criação. Vírus, bactérias, moléstias e desastres sem fim. Lamento profundamente o fracasso da camisinha, da pílula, do diafragma e de todo o arsenal anticoncepcional.
Sempre tive esta opinião muito desfavorável em relação à minha espécie e infelizmente nunca pude mudar de ideia. Sempre esperei que me ajudassem a mudar de ideia. Ninguém me ajudou verdadeiramente, por enquanto. Os que tentaram me ajudar acabaram por me decepcionar.
Sou Cátaro, Albigense e Valdense, por isso acho que este mundo é de fato, obra do demônio. Se este mundo foi mesmo criado por um deus, acho que nenhum deus digno desse nome, seria capaz de tamanha trapalhada cósmica.

2 comentários:

  1. Muito louco... louco e consciente (Só os loucos sabem!) ;)

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  2. É, meu amigo... A realidade é triste... Mas é isso o que temos... E agora? Vamos escrever... Ou cavar um poço... ou capinar um jardim... Ou, então, morrer... Isto é, se matar! Aceita-se sugestões!

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