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quinta-feira, 7 de maio de 2026

2026 E A PÓS-LOUCURA

Eu venho de outras eras. Eu carrego o peso de décadas nas minhas costas e na minha biografia. 
Eu já conheci várias loucuras. Eu já enfrentei muita insanidade e demências.
Hoje, tenho dificuldades em realizar a extensão da pós-loucura. 
Vivemos uma era que está muito além das loucuras conhecidas. Este momento histórico está a léguas da  alucinação e do delírio.
Socorro! Socorro!
As mulheres têm próstata, os homens são todos agressores em potencial e as pessoas não são mais o que são, elas são o que sentem. Inventaram uma inteligência que é artificial e burra. Surgiu uma multidão gigantesca de narcisistas e empoderadas absolutamente in-su-por-tá-veis. Todos ficaram importantes demais para dar um simples bom dia. 
Há  humanos cachorros e cachorros humanos. Todos são vítimas de todos e ninguém é culpado. É  obrigatório pisar em ovos para falar e para se relacionar. O vocabulário é sacralizado e qualquer deslize significa deixar de existir.
A higienizacão do dicionário contrasta com os corações congelados, sujos e doentes. Há uma sensação falsa de evolução quando na realidade regredimos vergonhosamente. Aliás, a vergonha morreu e com ela no genocídio dos sentimentos, morreu também o pudor, o respeito e o amor ao próximo. A mentira governa o mundo como um imperador romano. Calígula manda lembranças.
Desfiguraram a humanidade que eu conheci e agora não sei o que fazer diante de tantas falhas e manias.
Superei e venci tantos infortúnios para agora ser premiado com a cereja envenenada do bolo podre de 2026.

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