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sábado, 28 de dezembro de 2013

OS LADRÕES DE DOMINGO

Ao contrário de Charles Aznavour que odiava os domingos " Je hais les dimanches.", eu adoro domingos. Adoro o caráter despojado do dia. Domingo é um dia vazio, só para mim. Por enquanto, o patrão ainda não invadiu os meus domingos. Todos os dias da semana estão cheios de injustiça capitalista. Todos os dias da semana estão corrompidos pelos outros. Domingo é um dia puro como nenhum outro. Domingo é o único dia que tem a minha cara. Não reconheço os outros dias da semana como meus; todos fedem a dinheiro novo.
Não há ninguém nos meus domingos, reino eu soberano de mim mesmo. Não preciso de Jesus para preencher os meus domingos. Não preciso da família para se apossar dos meus domingos. Não preciso mais de macarrão com frango e salada para intoxicar a minha paz. Não preciso de ninguém para usurpar o meu tempo e as minhas energias para nada. Não preciso de barulho para espantar a angústia. Aliás, a angústia não é sensível ao ruído. Domingo é só meu. Não vivo mais de promessas. Não tenho mais expectativas tolas.
Cansei dos ladrões de domingo. Roubavam os meus preciosos domingos, o meu sol, a minha chuva, a minha brisa, a minha solidão, a minha contemplação, o meu silêncio, as minhas melodias e a minha alegria. Hoje sou grande o suficiente para preencher todos os segundos dos meus domingos rápidos e maravilhosos. Domingo cheio. Viva domingo.

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