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sexta-feira, 31 de julho de 2015

OS INADEQUADOS

Existe uma categoria de pessoas na qual me incluo que passa desapercebida, mas que habita um âmago barulhento, rico, diverso e variado.
O inadequado está muito próximo da borda da sociedade. É quase marginal sem nunca ser criminoso. Desde muito cedo percebe a sua dificuldade em gostar do que todos gostam, em fazer o que todos fazem, em dizer o que todos dizem, em ser o que todos alegam ser. Desde muito cedo, suspeita que há algo de errado nele, no mundo ou no cosmos. 
Vive arredio e se sente ameaçado por toda a estupidez cavalar da maioria. Quando jovem demonstra uma timidez quase paralisante. O inadequado em geral é ansioso e está sempre ensaiando os passos de uma impossível rebelião. Sente-se só mas acaba preferindo a solidão à insanidade. Os inadequados são invariavelmente vítimas de alguma forma de bullying ou de assédio ético.
O inadequado malgrado a sua aparente insignificância, pela sua inabilidade no trato do teatro social, incomoda a loucura da multidão histérica e hipócrita. 
O inadequado amiúde é chamado de maluco porque a lucidez da inadequação parece loucura aos olhos dos loucos oficiais. O inadequado não se insere, não se enquadra nem se encaixa porque não gosta de frestas mas de espaços abertos, claridade, clareza e grandes horizontes.
O inadequado é mais um dos incompreendidos e injustiçados nesta sociedade que acumula miopias e não consegue ver ninguém.

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