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terça-feira, 30 de junho de 2026

OBSERVANDO O FIM DO MUNDO

O fim do mundo está aqui na minha frente. Este objeto macabro, a que chamam celular, filma os destroços do planeta em tempo real.
Não consigo participar deste apocalipse porque este holocausto não me pertence. 
Este excesso onde falta tudo, esta insanidade familiar, esta exaustão que não se cansa, este egoísmo corriqueiro, o coro desafinado de mentes doentes, tudo isto está aqui na palma da minha mão. 
Este circo trágico, esta premiação constante dos ignorantes, este horror cheio de filtros, estes pervertidos pelo dinheiro, este festival de golpes, está tudo na palma da minha mão.
A tecnologia edificou as ruínas do coração humano.
Não há mais dúvidas, aprimoraram o demônio e o inferno tem outros nomes e já podem chamá-lo de Google ou Facebook. 
No fim de tudo, descubro estupefato que o meu ideal de amor e perfeição são  os gatos, os cães e pouco mais. 

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