.

.

.

.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

UM ATEU MELANCÓLICO

Ninguém mais do que eu gostaria que deus existisse.
Por que razão não consigo delirar sem pudor e conceber um deus de amor?
Como os meus congêneres são capazes de chamar de fé o que é pura loucura e medo do horror da existência?
Como os outros conseguiram conforto e bálsamo em uma ilusão irresistível e robusta?
Pobre de mim que não temo os martírios da verdade e das evidências.
Pobre de mim que agarro a ferocidade cruel da vida pelos cornos e sou ferido.
Pobre de mim que tive a audácia de fugir dos arroubos da multidão ensandecida e tranquei com determinação a porta do meu quarto para sofrer com dignidade e coragem as consequências de uma ejaculação irresponsável.
Pobre de mim...

Nenhum comentário:

Postar um comentário


Não diga besteira