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domingo, 26 de janeiro de 2014

A SALVAÇÃO NÃO RELIGIOSA


SÓ PARA OS QUE AGUENTAM
 O RESUMO CRUEL


É só porque fomos criados por deuses insanos.
Só porque nos fizeram incapazes de suportar nossa solidão e abandono.
É que distribuímos  substantivos vãos que não têm nada de verdadeiro.
É amor, é amizade, é compaixão, é solidariedade, é afeto e não é nada, absolutamente nada.

Somos estacas uns dos outros e uns para os outros quando amparamos e quando golpeamos.
Que espécie é esta que não fica em pé sobre os próprios pés?
A promiscuidade da interdependência responde por vários nomes.
Inventamos palavras solenes e ocas para viver num repetido engodo.

Não há nada além da nossa solidão e abandono na imensidão do Cosmos.
Somos cobaias dos deuses.
Somos experiências galáticas malogradas e esquecidas.

Sofremos, mas o sofrimento não estava previsto na brincadeira dos deuses malucos.

Procuramos e inventamos sentidos onde não há nada.
Apenas um acidente da matéria.

Só está salvo quem conseguiu aceitar a solidão, o abandono e o non-sens.

4 comentários:

  1. Muito bom, Esteves.

    Lembrei-me de um diálogo do filme Constantine que vem bem a calhar:

    Angela Dodson: I guess God has a plan for all of us.
    John Constantine: God's a kid with an ant farm, lady. He's not planning anything.

    Um grande abraço,

    Arthur Lobo

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  2. E ainda esta do filme Clube da Luta:

    Listen to me! You have to consider the possibility that God does not like you, never wanted you, and in all probability, he HATES you. It's not the worst thing that can happen.

    Arthur Lobo

    PS: deixei as citações em inglês mesmo pois é o idioma original dos filmes.

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  3. Confesso que achei Constantine um porre, mas sou obrigada a concordar com as palavras do John. Essa idéia infantil de que existe um cara lá em cima anotando tudo que fazemos num caderninho é risível. E o pior é saber que no dia do Apocalipse vamos todos prestar contas... rs!!

    Esteves, já estou aparecendo aí? :)

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  4. Um ponto de vista a ser pensado e... quem sabe? Aproveitado - seja como for!
    Abraços, Joaquim!

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