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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

O MEU TEMPO JÁ TINHA ACABADO

"QUANDO TIVE TEMPO, O MEU TEMPO JÁ TINHA ACABADO."

Foi com esta frase em epígrafe que uma mulher resumiu a sua situação ao se aposentar e descobrir que estava com cancer terminal. A constatação desta frase fez muito sentido para mim e espero que também seja útil para outros. Concorrendo e competindo na Cultura-loucura do dia a dia , submetemos o corpo e a mente a níveis de estresse inimagináveis. Esta ânsia insana de viver tão mal, acarreta efeitos perservos a médio e longo prazo. Não me sobra uma migalha de dúvida a este respeito. Ninguém aguenta as demandas e as exigências do neoliberalismo e da pós-modernidade. Se parece que você aguenta agora, vai pagar muito caro depois. Como dizia Aristóteles, "nada é grande ou pequeno, exceto por comparação." Comparativamente nunca vi tanta piração. Descobri hoje por exemplo, que a pessoa mais infeliz que conheço, que faz análise e o cacete a quatro, que toma remédios criteriosamente prescritos, tem 1.178 amigos no Facebook. Puta que pariu! Ninguém aguenta tanto doido à solta. Aliás, com a campanha antimanicomial há uma desospitalização e os pinéus estão todos na rua, em casa, no trabalho e no governo. O Brasil e o mundo  transformaram-se num Mega-Hospício a céu aberto.
Voltando à questão do tempo, temos que ter coragem de parar ou pelo menos de reduzir a velocidade da marcha. Se continuarmos nesta corrida louca e alucinada, o cemitério ficará cada vez mais próximo e teremos sempre cada vez mais malas cheias de coisa inúteis para colocar no caixão. Quem tem coragem de se desintoxicar das práticas culturais que nos foram impostas? Quem tem coragem de trabalhar menos, ganhar menos e viver mais dignamente? Quem? O tempo está passando e nós somos criaturas bem mais frágeis do que supomos.

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