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sexta-feira, 7 de junho de 2013

A LÍNGUA DE CAMÕES

Eu nasci com o verbo HAVER. Eu sou do tempo do verbo Haver. Hoje o verbo TER tomou o lugar do HAVER. Os gramáticos chamam isto de Hibridismo Sintático. No Brasil, talvez em função do clima, a gramática ficou à vontade. Aqui a gramática da Língua Portuguesa começou a tirar a roupa. Tudo bem. Só não vale ficar pelada. Com freqüência, a gramática da língua portuguesa no Brasil fica Peladona. Vão tirando os pronomes, todos, vão se livrando do subjuntivo, todos, vão jogando fora as concordâncias, todas, e aí todos os Ss dançam, todos.
Prefiro uma língua bem vestida. Não gosto muito de línguas obscenas e safadas onde tudo é permitido. Vamos tirar a roupa, mas não há nenhuma graça em ficar pelada. Uma língua pelada perde muito da sua beleza, mas o importante no Brasil é apenas comunicar. Eta comunicação sem vergonha! Não vamos AVACALHAR, com o ruminante perdão da herbívora Senhora.
No Brasil, há muito que já não se fala português; fala-se brasileiro. A prova disso é que entrevistas de José Saramago são legendadas. Isso para não falar dos filmes, das reportagens. Daqui a um século o brasileiro será considerada uma língua neolusitana. O português de Portugal está dando origem a muitas línguas, o angolano, o moçambicano, o caboverdiano, etc.
Falar bem, não é um valor por aqui. A lingüística encoraja a nudez do português. Esse strip-tease linguístico me choca um pouco pois tenho sólida formação moral e gramatical. Tenho pudor lingüístico. (Por isso coloco até trema.) Fico vermelho quando ouço: "Ele matou ela."  Sou louco por um pronome e me amarro num Subjuntivo.

3 comentários:

  1. Para dar continuidade às preocupações sobre o trato que vem sendo dado à língua de Camões, aguardo comentários sobre o recente assassinato do Velho do Restelo, aqui no Brasil.
    Delia Cambeiro

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  2. Camões, nem sabes o que te farão!!! Vão colocar o teu celebradíssimo Velho do Restelo na lama. Logo ele, voz dos que pensam e conseguem ver muito mais adiante dos antolhos (ou anteolhos, em honra de Camões) de quem não sabe do que se trata. Lamentável.
    Delia Cambeiro

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